Depois de perder seu namorado, o publicitário Tom vai à fazenda da família de seu companheiro para o funeral. Mas ao chegar no lugar, descobre que sua sogra não sabia de sua existência, nem que seu filho era gay, e que todos estão envolvidos em mentiras feitas pelo irmão do falecido.
Essa é a premissa de “Tom na Fazenda”, uma peça interpretada e traduzida pelo ator Armando Babaioff. A versão brasileira da obra canadense, conhecida por debater temas como luto, preconceito e aceitação, chega ao Teatro da Ufes na próxima semana, nos dias 21, 22 e 23 de agosto. Os ingressos ainda estão à venda no site Sympla.
Em conversa com HZ, Armando contou histórias no Espírito Santo durante o início da carreira, expectativas para a apresentação em Vitória e sua relação com o Estado.
O ator natural de Recife começou a atuar com 11 anos de idade, e seu primeiro trabalho de destaque foi a novela da TV Globo “Páginas da Vida”. Depois de trabalhos bem sucedidos, como na novela“Segundo Sol”, e o filme “Prova de Coragem”, ele relembra que um momento marcante de sua carreira em Vitória.
Quando ainda estava começando no ramo da produção artística, Armando esteve na capital capixaba com o espetáculo “Na Solidão dos Campos de Algodão” no Festival de Teatro de Vitória, o qual produziu e atuou.
Ter sido selecionado, e ainda participar daquele festival, foi um impulso enorme para seguir acreditando nesse caminho. Lembro da estrutura montada no Cais do Porto, da dimensão do evento e da sensação de que eu estava dando um passo importante na minha trajetória
Armando Babaioff Ator e produtor
Falando sobre a peça que desembarca em Vitória neste mês, o ator contou que descobriu a história de “Tom na Fazenda” por meio de um amigo cinéfilo que o recomendou uma adaptação da obra de 2013.
“Na ocasião eu nem cheguei a ver o filme, fui direto atrás do texto original na internet. Li, e fiquei completamente tomado por aquela história: a forma como ela fala sobre o luto, homofobia, violência, mentira, e como a gente aprende a esconder quem é antes mesmo de aprender a amar".
Babaioff conta que já estava à procura de um texto para trabalhar na época, então o desafio de traduzir a obra para o português veio como um processo natural. A tradução é um tópico à parte para o artista, pois também foi a primeira vez dele exercendo esse papel artístico.
A peça já passou por estados como São Paulo e Rio de Janeiro, e agora segue para o ES no final de agosto. Quando perguntado sobre o que o espera que o público capixaba leve depois de ver a peça, Armando diz que é o sentimento de poder se conectar de forma sincera com as pessoas que mais amamos.
"Se o público sair do teatro se perguntando onde as violências ainda existem e de que maneira cada um de nós participa ou reage a elas, a peça já terá cumprido um papel importante", relatou.
Quero que o público de Vitória saia do Teatro da Ufes com vontade de conversar com a família, com amigos, com quem estiver ao lado
Armando Babaioff Ator e produtor
Ele também revela que durante a passagem da peça, muitas histórias maravilhosas já aconteceram, mas em sua opinião, “as que mais me emocionam são das pessoas que estão indo ao teatro pela primeira vez e saem maravilhadas com um universo de possibilidades que elas não imaginam que o teatro é capaz de proporcionar”.
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