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Sexo

A ditadura do orgasmo e as disfunções sexuais que ela gera

Se você parar para analisar o comportamento sexual dos últimos tempos, verá que a mulher começou a ser pressionada a gozar e isso está gerando alguns problemas; confira quais são

Publicado em 13 de Julho de 2022 às 21:30

Publicado em 

13 jul 2022 às 21:30
Sirleide Stinguel

Colunista

Sirleide Stinguel

spremoli93@gmail.com

Sexo, orgasmo
Sexo, orgasmo Crédito: Shutterstock
Hoje vamos falar da ditadura do orgasmo. Antes de começar a falar desse assunto, eu gostaria de te dizer que eu acho muito importante e muito prazeroso ter orgasmo na relação, mas a questão que trago aqui para reflexão é quando isso vira uma perseguição e consequentemente disfunção sexual.
Se você parar para analisar o comportamento sexual dos últimos tempos, verá que a mulher começou a ser pressionada a gozar. Não só pela pessoa que está com ela na hora do ato mas dela própria, influenciada pela sociedade militante do sexo, com a frase escrita em baners que “a relação só foi satisfatória se teve um orgasmo”.
É muito bom quando o ciclo de resposta sexual é completo, mas a exigência de que ele siga esse passo a passo em todas as relações faz a mulher se enxergar como disfuncional (lembra da famosa palavra Frigida? Pois é). Ainda tem aquelas que se sentem mal por não oferecerem ao parceiro (a) um orgasmo e o outro (a), por sua vez, se sente incapaz por não fazer a mulher ter um orgasmo.
Essa afirmativa de que todos devem gozar em toda relação, faz o caminho todo, até ali, ser ignorado. Ou seja, a obsessão pelo orgasmo faz as pessoas perderem o melhor da festa, o prazer!
Se a pessoa adere a essa narrativa - de que o sexo só teve validade se tiver orgasmo -, o ato começa a ser limitado, tornando imperceptíveis outros fatores, sensoriais e psicológicos para o prazer.
A militância do orgasmo tem despertado ansiedades, depressão, baixa autoestima e outros, gerando o bloqueio da fase orgástica. Precisamos libertar o nosso sexo de regras para que o mesmo seja fluido e prazeroso. Vou te deixar umas dicas para se livrar dessa pressão.
  1. Comunicação é tudo: comunicação aberta e clara com o parceiro, sobre desejos, medos e anseios, expectativas.

  2. Autoconhecimento corporal: ele desfaz esse mito, nos provando que o corpo tem possibilidade orgástica sim, mas não é via de regra ter em todas as relações.

  3. Fantasie sempre: pense, deseje, prepare o seu psicológico para o ato.

  4. Pompoarismo: além da consciência corporal, te ajuda a fortalecer e aumentar o seu prazer.
Não se trata de “você tem que”, mas de “você pode se quiser ter". A consciência disso nos torna seres sexualmente livres e traz um olhar libertador para a sua sexualidade. 
Sexo é muito mais que só orgasmos, é prazer, é toque, é cheiro, é imagem, é sabor, é melodia de sensações ilimitadas. Se desprenda de regras e viva o momento com todo o seu corpo.

Sirleide Stinguel

Sirleide Stinguel é especialista em sexualidade humana, pós graduada em terapia sexual na saúde e educação. Graduanda em Psicologia.

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