Um tanto alheio à própria campanha, Magno Malta (PR) mal tem parado no Espírito Santo nestes dias decisivos de campanha, que podem até lhe reservar uma reviravolta. Visivelmente, o senador está priorizando a campanha de Bolsonaro. Deixa a campanha aqui por conta de aliados e assessores, enquanto percorre o país pedindo votos para o presidenciável. Mas baianos e matogrossenses não votam para senador do Espírito Santo. Tampouco enfermeira(o)s do Hospital Albert Einstein.
Em 2010, Magno fez algo parecido. Percorreu o país pedindo votos, vejam só, para a petista Dilma Rousseff. Mas isso só no segundo turno da eleição à Presidência. Àquela altura, Magno já estava com a reeleição garantida. Agora não.
Na série de sabatinas do Gazeta Online com os quatro candidatos ao Senado mais bem posicionados nas pesquisas, Magno foi o único que declinou do convite, por conflito de agenda.
Procurada pela coluna, a assessoria de Magno refutou que haja perda de foco por parte do senador, muito menos que ele tenha abandonado a própria campanha. Disse que Magno não se considera reeleito e que a campanha segue intensa, principalmente nas redes sociais. “Ele apenas vai focar numa agenda nacional, pela necessidade de atender ao amigo Bolsonaro.”
Em entrevista para esta coluna, publicada no dia 30 de agosto, Magno não convalidou a afirmação de que “já está reeleito”. Mas corroborou o próprio favoritismo:
“Se a minha história de nada serviu, se foi um mandato inócuo, perdido no tempo, sem boa avaliação da sociedade, até porque estou no segundo mandato de senador e tenho essa boa avaliação, não serão 30 dias que vão resolver a minha questão. Agora, se eu fiz um bom mandato e trabalhei, e as pessoas entenderam assim, não vão ser 30 dias que vão tirar minha reeleição também, correto? Então minha vida está nas mãos de Deus e eu tenho que continuar trabalhando. Mas imagino que, se alguém tem chances de ter uma das duas vagas, sou eu.”
Pode ser. Mas a eleição ao Senado está inteiramente aberta e, se não prestar atenção, Magno pode tropeçar nesse desvio de foco. E no excesso de autoconfiança.
Manato vai com tudo
No horário eleitoral da última segunda-feira e, mais ainda, no de quarta-feira (26), Manato intensificou o bombardeio em Casagrande, mostrando protestos realizados por servidores e problemas em áreas vitais durante o governo do socialista. No Facebook, chamou-o de “lobo em pele de cordeiro”. Intensificou, ainda, a colagem de sua imagem na de Jair Bolsonaro. Mostrou até uma menina fazendo o gesto da arma.
Crítica a pesquisas
Manato também contestou, na segunda, “pesquisas que não mostram a realidade das ruas”. Não se referia, naturalmente, à da Futura, divulgada no mesmo dia pelo Gazeta Online, que mostra crescimento de sua candidatura.
Apoio envergonhado
Quem viu o show não tem dúvida: o que o cantor Paulo Ricardo fez em Vila Velha, durante apresentação no último sábado, foi, sim, manifestação disfarçada de apoio ao “capitão Bolsonaro” – como ele o chamou. Preferir e manifestar apoio a qualquer candidato é direito de qualquer cidadão. O que fica feio é o “apoio envergonhado”, já que Paulo Ricardo usou redes sociais para desmentir o óbvio.
“Marcha da insensatez”
Ainda dá tempo para deter a marcha da insensatez”, alertou FHC em sua “carta aos eleitores brasileiros”. É mais um tucano a repetir uma expressão que Paulo Hartung vem usando há muito tempo para se referir à sucessão presidencial.
Ele falou, ele avisou...
A propósito do cenário nacional: Paulo Hartung falou, Paulo Hartung avisou...
Ritmo de campanha
Falando nele, enquanto se preocupa com o desfecho da corrida ao Palácio do Planalto, Hartung acelera o ritmo para terminar o governo bem, com uma maratona de inaugurações, assinaturas de contratos e de ordens de serviço. Só nos últimos dois dias, o governador viajou por nove municípios, sem contar Vitória.
Em compensação...
Enquanto isso, na Assembleia, o ritmo dos “trabalhos” é mais sonolento a cada dia. O expediente da sessão de segunda foi aberto com ofícios de cinco deputados (todos em campanha) justificando a ausência em sessões anteriores. Ah, e a daquele dia durou menos de uma hora.
Em compensação 2...
Casagrande também parece estar tirando o pé do acelerador na reta final. Ele não vinha faltando a debates e sabatinas. Associações de moradores de oito bairros de Vitória haviam planejado uma com os seis candidatos ao governo na noite desta quarta-feira (26), em colégio de Jardim Camburi. Cancelaram porque Casagrande e Manato avisaram que não poderiam comparecer.
Melhor campanha
A pesquisa Futura informa que, na eleição ao Senado, a propaganda de Contarato é considerada a melhor por mais entrevistados: 22,7%. É mais um fator que ajuda a compreender sua ascensão.