A inauguração da Farmácia Cidadã de Vila Velha, na Rua Luciano das Neves, na manhã desta terça-feira, deixou evidente que o distanciamento político entre o governador Paulo Hartung (MDB) e o prefeito Max Filho (PSDB) é, no momento, um fato irremediável.
A solenidade, promovida pelo governo estadual, ocorreu às 8 horas da manhã. Foi extremamente breve. Contou com as presenças de Hartung e do secretário estadual de Saúde, Ricardo de Oliveira. Mas não contou com um só representante da Prefeitura de Vila Velha. Nem Max, nem o secretário municipal de Saúde, Jarbas de Assis (PSDB). Absolutamente ninguém.
Procurada, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que, de acordo com os servidores que organizam a agenda de Max Filho, o governo estadual não enviou nenhum convite ao prefeito, seja por meio impresso, seja por meio digital.
A assessoria informou ainda que, simultaneamente, foi realizada outra cerimônia de inauguração, esta organizada pelo cerimonial da própria prefeitura: a do Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil, no bairro Itapuã. Para essa solenidade, a equipe da prefeitura realizou uma grande mobilização. Participaram Max Filho, o secretário Jarbas de Assis e várias autoridades municipais.
Note-se, porém, que o evento do governo estadual ocorreu às 8 horas, enquanto o da prefeitura iniciou-se às 10h30. Ou seja, se Hartung e Max realmente fizessem questão de posar juntos nos atos políticos, o horário era perfeitamente conciliável.
Note-se, ainda, o seguinte: quando duas autoridades políticas fazem questão de se prestigiarem e aparecerem lado a lado, as atividades são marcadas de modo a não coincidir. Bastaria adiar uma delas e pronto. Donde se conclui que nem Max nem Hartung fazem questão alguma de serem vistos lado a lado atualmente.
E tem mais: a situação tende a se repetir amanhã, durante a celebração do aniversário de 483 anos da cidade de Vila Velha, feriado municipal.
Palanque solo
No Dia da Colonização do Solo Espírito-Santense, Max deve ficar solo em solo vilavelhense.
Na manhã desta quarta-feira, a Prefeitura de Vila Velha promoverá o tradicional desfile cívico-militar, no Centro da cidade. A tendência é que Hartung não pise no palanque montado na Praça Duque de Caxias. Até o fechamento desta coluna, a assessoria do governo não confirmou o comparecimento de Hartung. Mas a assessoria do vice-governador, César Colnago (PSDB), confirmou a presença dele ao desfile, num indício de que Hartung deve mandar seu vice para representá-lo (atitude que tem sido rotineira nos últimos tempos, sempre que o governador deseja se livrar de alguma situação politicamente desagradável para ele).
Diga-se de passagem, a presença de Colnago ao lado de Max no palanque também terá seu lado indigesto para o vice-governador. Apesar de ambos serem do mesmo partido, a relação entre eles também azedou desde novembro do ano passado, quando Max desafiou Colnago e perdeu para ele a eleição interna pela presidência da Executiva estadual do PSDB.
Farmácia
Na inauguração da Farmácia Cidadã de Vila Velha, o governador fez uma aparição relâmpago. Chegou, retirou o pano que encobria a placa inaugural e foi embora sem discursar, tarefa que coube ao secretário estadual de Saúde.
Em seguida, Hartung embarcou para o Rio de Janeiro, onde passa o dia hoje em reuniões na Petrobras e no BNDES.
Contexto
Desde o início do ano passado, Hartung passou a tratar opositores como opositores. É comum, por exemplo, ele promover almoços com os deputados estaduais e só convidar os integrantes da base, ignorando solenemente a minoria oposicionista.
Com relação a Max Filho, parece que a postura passou a ser a mesma. Na eleição municipal, os dois antigos desafetos ensaiaram uma reaproximação, o que na época despertou forte ceticismo no mercado político.
Passados quase dois anos, hoje se sabe que de fato essa reaproximação foi artificial. No fim de 2017, Max voltou a ser o velho Max, esboçando novamente movimentos de oposição a Hartung, sobretudo na tentativa de tomada da direção estadual do PSDB.
Neste ano, de janeiro a abril, esse realinhamento de Max à oposição ficou ainda mais explícito, com o seu esforço (frustrado) para viabilizar candidatura ao governo do Estado, contra Paulo Hartung. Nesse processo, Max aproximou-se de adversários do governador, como Renato Casagrande (PSB) e Rose de Freitas (Podemos), além de ter dado entrevistas dizendo que o Estado precisa de uma alternativa ao atual governo.
Consequentemente, hoje está claríssimo: se Max quer voltar a agir como oposição a Hartung, o governador vai voltar a tratá-lo como oposição.