A Região Norte do Espírito Santo concentra a maior quantidade de áreas desmatadas do Estado. É o que aponta um levantamento feito pela Central de Monitoramento de Florestas do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), que compilou dados ao longo de 14 meses. Os dados foram apresentados na última quarta-feira (12), na Casa Sustentabilidade Brasil, local que sedia atividades paralelas à COP30 — Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorre em Belém (PA).
Linhares é o município que registra o maior índice de desmatamento ilegal: foram identificados 59,31 hectares de áreas embargadas entre 4 de setembro de 2024 e 4 de novembro de 2025. Os municípios de Nova Venécia (31,21) e São Mateus (24,78), também no Norte capixaba, aparecem em segundo e terceiro lugares no ranking, respectivamente.
Os indicadores também mostram que, embora o Norte tenha menos vegetação nativa da Mata Atlântica, é a região que acumula maior volume de área desmatada. Para o coordenador da central, João Marcos Chipolesch, esse movimento pode estar ligado ao interesse em expandir atividades agropecuárias. “O desmatamento é um ato comportamental, como qualquer outro delito, e, como ele não ocorre em grande parte do Estado, supõe-se que esteja ligado à expansão das atividades produtivas”, destacou.
Ele acrescenta que o desmatamento no Estado ocorre de forma gradual e difusa, como estratégia de alguns atores para escaparem de entes fiscalizadores. "Diferentemente do que ocorre em outros biomas do Brasil, como Amazônia e Cerrado, em que o desmatamento ocorre do núcleo para as periferias, o nosso é das periferias para o centro", ressalta.
O período analisado considerou a inauguração da Central: foram fiscalizados 382 alertas para identificação de desmatamento ilegal, que resultaram em 369 multas aplicadas e na identificação de 408 hectares de áreas embargadas.
Os números foram divulgados no painel "Tecnologias aplicadas e resultados do Programa Estadual de Combate ao Desmatamento Ilegal do ES", realizado na última quarta-feira (12), parte da programação da Casa Sustentabilidade Brasil. A 600 metros do Parque da Cidade, o espaço abriga uma agenda paralela à COP-30, criada para fortalecer o debate ambiental.
"A gente faz parte de um país só com vários biomas, vários domínios ambientais. Temos a Mata Atlântica, a Caatinga, o Cerrado, a Floresta Amazônica. Acho que é dever não só o cuidado com a Mata Atlântica, mas também com a Floresta Amazônica, com o Cerrado... Porque a gente tem a ideia de aldeia global, está tudo interconectado. A gente acredita nessa interconexão com os elementos da natureza, principalmente com os recursos florestais", complementa.
Confira, a seguir, as cidades que registraram áreas desmatadas desde a criação da central:
- Linhares (59,31)
- Nova Venécia (31,21)
- São Mateus (24,78)
- Pancas (22,81)
- Vila Pavão (20,58)
- Guaçuí (19,34)
- Mantenópolis (14,17)
- Ibiraçu (13,97)
- Muniz Freire (13,58)
- Iúna (13,21)
- Muqui (13,06)
- São Gabriel da Palha (10,62)
- São Domingos do Norte (9,81)
- Mimoso do Sul (9,34)
- Santa Maria de Jetibá (7,92)
- Vila Velha (5,85)
- Rio Bananal (5,32)
- Fundão (4,62)
- Santa Leopoldina (3,76)
- Ibitirama (2,88)
- Santa Teresa (2,74)
- Dores do Rio Preto (2,71)
- Vila Valério (2,46)
- Guarapari (2,39)
- Governador Lindenberg (1,70)
- Jerônimo Monteiro (1,66)
- Sooretama (1,44)
- Jaguaré (1,41)
- Vargem Alta (1,40)
- Divino de São Lourenço (1,23)
- Irupi (1,04)
- Serra (1,01)
- São Roque do Canaã (0,97)
- Ibatiba (0,95)
- Laranja da Terra (0,90)
- Marechal Floriano (0,64)
- Itarana (0,56)
- Presidente Kennedy (0,51)
- Itaguaçu (0,48)
- Piúma (0,44)
- Rio Novo do Sul (0,33)
- Vitória (0,28)
- Conceição de Castelo (0,06)
A repórter viajou para a COP30, em Belém, no Pará, a convite do Instituto Sustentabilidade Brasil