Os pinguins que chegam ao litoral do Espírito Santo durante a temporada de migração, no inverno, vêm sendo encontrados em estado de saúde cada vez mais grave. Neste ano, o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram) já registrou o encalhe de sete animais, e a maioria morreu pouco depois de ser resgatada.
Nesta sexta-feira (26), um pinguim-de-magalhães foi encontrado morto em uma praia de Anchieta, no sul capixaba. Três dias antes, na terça-feira (23), outros dois animais foram resgatados em Marataízes pelo Instituto de Pesquisa e Conservação Marinha (IPCMar). Apesar dos cuidados veterinários, eles não sobreviveram.
Especialistas do Ipram identificaram uma piora no estado de saúde dos animais resgatados nos últimos três anos. Se antes eles chegavam às praias capixabas apenas desnutridos, agora também apresentam doenças graves, como infecções causadas por parasitas, bactérias e fungos, o que reduz significativamente as chances de sobrevivência.
"Existem casos de parasitas subindo pelo trato respiratório, na traqueia, uma coisa horrorosa. Às vezes eles chegam com o pulmão todo comprometido por fungos. A gente não sabe nem como eles pegam fungos no mar, mas pegam", afirmou o médico-veterinário e diretor do Ipram, Luis Felipe Mayorga, em entrevista à jornalista Fernanda Queiroz, da Rádio CBN Vitória.
Mayorga ressalta que algumas dessas doenças são zoonoses e podem representar riscos à saúde humana. Por isso, a orientação é que, ao encontrar um pinguim, a população evite tocá-lo diretamente. O risco é maior para crianças, idosos e pessoas com a imunidade comprometida.
Outro problema que ameaça a sobrevivência desses animais é a contaminação por bactérias resistentes a antibióticos já no momento do resgate, o que indica que essa resistência foi adquirida no ambiente natural e dificulta o tratamento.
Além disso, embora ainda não tenham sido registrados casos de gripe aviária em pinguins-de-magalhães no Atlântico Sul, o especialista alerta que é necessário ter cautela ao se aproximar dos animais, pois qualquer ave silvestre pode ser portadora do vírus.
A causa do aumento dessas doenças ainda é incerta, mas o diretor do Ipram explica que organizações que atuam no resgate de pinguins em todo o Brasil criaram a Rede de Informação sobre Pinguins-de-Magalhães (Repin) para compartilhar dados e investigar o fenômeno
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Mais de 30 resgates em 2025
O cenário já preocupava especialistas no ano passado. No inverno de 2025, cerca de 32 pinguins foram resgatados no litoral do Espírito Santo em menos de duas semanas. Desse total, 17 foram encontrados mortos e muitos dos demais não resistiram às complicações de saúde.
Os animais resgatados mantêm o mesmo perfil observado nos últimos anos: são jovens, com menos de um ano de idade, vindos da região da Patagônia, entre Chile e Argentina, e chegam às praias brasileiras durante a primeira migração em busca de alimento.