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Opinião da GAZETA

Morte de Camata mostra que é preciso recuperar a civilidade perdida

Gerson Camata, conhecido pela cordialidade, teve seu destino cruzado pela crueldade. Assim como o de tantos de seus conterrâneos, cotidianamente

Publicado em 27 de Dezembro de 2018 às 14:06

Públicado em 

27 dez 2018 às 14:06

Colunista

A morte violenta de uma liderança política com tamanha relevância na história recente do Espírito Santo deve mesmo causar consternação geral. Uma indignação totalmente justificável, diante da brutalidade que parece não ter fim. Gerson Camata sai de cena em meio ao absurdo que insiste em continuar assombrando a sociedade. As motivações do crime estão aos poucos sendo desvendadas, com as autoridades policiais agindo com a rapidez que se espera, até agora. A sociedade quer respostas, e não é só por se tratar de um ex-governador. É preciso recuperar a civilidade perdida. Nesse episódio lamentável, foi a vida de um homem público que acabou ceifada. Mais uma atrocidade que não pode ser esquecida.
Assim como deverá permanecer na memória de cada capixaba o legado do homem que esteve à frente do Estado num período marcante não só pelas transformações políticas, mas também econômicas, fortalecendo principalmente o interior do Estado. É e continuará sendo impossível dissociar a imagem de Camata da cena política capixaba dos últimos 50 anos, período em que seu nome atingiu também relevância nacional. Por aqui, foi símbolo da retomada da democracia, representando a renovação que deu um novo vigor ao Estado a partir dos anos 80. Venceu a eleição, em 1982, com 67% dos votos, sendo protagonista do tão esperado renascimento democrático capixaba. Já em Brasília, permaneceu por 24 anos no Senado, ao longo de três mandatos. Não passou em branco, reconhecido pelo carisma de quem teve como principal formação a atuação no radialismo. Não pertencia às elites políticas, mas construiu com a mulher, Rita Camata, o próprio clã. Em 2002, a então deputada federal foi vice-candidata à Presidência na chapa de José Serra.
As possíveis desavenças que podem ter culminado em sua morte são irrelevantes diante da barbaridade. Nada justifica a violência; a Justiça existe para ajustar as diferenças, de forma equilibrada, e terá que entrar em ação, após o mal ter sido feito. Gerson Camata, conhecido pela cordialidade, teve seu destino cruzado pela crueldade. Assim como o de tantos de seus conterrâneos, cotidianamente. É mais um dia triste para o Espírito Santo.

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