Para os representantes do mercado internacional de capitais, a eleição presidencial brasileira vai determinar muito mais do que o próximo ocupante do Palácio da Alvorada. Em poucas palavras, o que está em jogo é a estabilidade econômica do Brasil, a saúde fiscal do país e, consequentemente, a constituição de um bom ambiente para negócios e investimentos. Esta é a perspectiva transmitida aos clientes pelos analistas do banco JP Morgan, no relatório “Contagem Regressiva para a Eleição no Brasil”.
“Eleições gerais são sempre um fator decisivo para investimentos na maioria dos países, e no Brasil ainda mais. Mesmo assim, desta vez parece que há mais em jogo com relação às perspectivas do país do que nos últimos ciclos políticos. Por um lado, as taxas de juros estão atualmente no mais baixo patamar histórico, o que permite melhores perspectivas de crescimento. Por outro lado, a situação fiscal do país está entre as piores entre os países emergentes. Para assegurar os ganhos proporcionados pela política monetária, mudanças estruturais são necessárias. A mais importante delas é a reforma da Previdência, mas, como gostamos de dizer no Brasil, o buraco é mais embaixo”, afirmam os analistas (na redação original, “the hole is a lot deeper”).
“Portanto, o que está em jogo nessa corrida, do ponto de vista do mercado, é a manutenção de taxas de juros mais baixas, o que poderia impulsionar o Brasil rumo a um novo ciclo de desenvolvimento, mais longo e de melhor qualidade. E isso só pode ser atingido com um melhor ambiente fiscal”, concluem.
Os estrategistas do banco não têm dúvida de que essa campanha será muito diferente das anteriores. E explicam por quê: “Muitas ferramentas que usávamos para analisar as eleições no passado não são mais úteis. No passado, a economia era a linha mestra da campanha, o que não é mais o caso. A internet hoje em dia está influenciando eleitores de maneiras ainda difíceis de definir. O número de candidatos é alto e eles estão espalhados por todo o espectro ideológico, rompendo com a tradicional polarização PSDB x PT dos últimos 20 anos. A campanha é mais curta e o financiamento está muito mais restrito, dificultando qualquer previsão sobre quem será o vencedor”.
Os analistas também têm outro “feeling” muito forte com relação a outra grande diferença dessa campanha presidencial em face das anteriores: no centro dos debates, a economia cederá espaço a outros temas, como a corrupção.
“O mote histórico das eleições de 1992 nos EUA – ‘É a economia, estúpido’ – poderia ter sido aplicado a todas as eleições brasileiras desde a redemocratização. Desta vez, não temos certeza se essa tese será o fator central por trás das decisões dos eleitores. É claro que a economia é algo que as pessoas vão levar muito em conta, mas o advento da Lava Jato e a corrupção também serão pontos centrais de debate, assim como a terrível escalada de violência e criminalidade nos centros urbanos brasileiros. Cada candidato vai oferecer uma plataforma com uma combinação diferente desses três elementos, mas ainda não se sabe qual é o pedaço da torta que vai ter maior relevância.”
O relatório dedica especial atenção ao aumento da preocupação dos brasileiros com o tema da corrupção. “No Brasil, a corrupção costumava ser uma preocupação muito distante no início do governo de Dilma (só 3% achavam que era o maior problema do país), ao passo que, hoje, ela é o problema mais citado (21%), ao lado da saúde, que tradicionalmente é a preocupação nº 1. O advento da Lava Jato de 2014 em diante aumentou o grau de exigência para os candidatos e disseminou muitos movimentos populares e partidos que procuram renovação dos protagonistas políticos clássicos que têm dominado o sistema por muito tempo.”
Segurança em debate
O relatório do JP Morgan também chama atenção para o aumento da importância do tema segurança pública no debate presidencial. “Outra questão que tem ganhado muita relevância é o crime/segurança, hoje considerado o principal problema do país por 13% do eleitorado, empatado com o desemprego. No entanto, apesar de todas as discussões sobre o tema, a questão da segurança já foi mais mal avaliada no passado, especialmente durante o primeiro mandato de Dilma.”
Elo Rebelo
Em sua passagem por Vitória na última segunda-feira, o pré-candidato à Presidência pelo Solidariedade, Aldo Rebelo, forçou a barra na tentativa de mostrar que é “o pacificador”. Sugeriu que é amigo de Rose de Freitas, dos tempos em que foram colegas na Câmara; chegado de Casagrande, de quem diz ter se aproximado em sua passagem relâmpago pelo PSB; e brother de Paulo Hartung, da época de militância estudantil em plena ditadura (Aldo era do PCdoB e da direção da UNE, enquanto Hartung era do PCB e da direção do DCE da Ufes).
E Moreira?
Faltou só dizer-se parceiraço de André Moreira por causa de... vai saber! Amigos em comum no PSOL?
Maio de 1968
Entre 22 e 25 de maio, o Cine Metropolis da Ufes sediará o “Colóquio 50 anos – Reverberações de Maio de 1968 na França e no Brasil”. O evento contará com convidados como o prof. François Cusset, da Universidade de Paris-Nanterre, que realizará a conferência de abertura com o tema “Maio de 68 nas cabeças: desejo coletivo e crepúsculo do pensamento”. Haverá ainda lançamento de livros, exibição de filmes e peça teatral.