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4 pontos da fala de Trump em evento eleitoral: 'US$ 5 mil para cada americano' e guerra do Irã vai acabar 'após eleição'

Presidente americano não detalhou de onde viriam recursos para bancar plano que custaria cerca de US$ 1,3 trilhão (R$ 6,6 trilhões).

Publicado em 10 de Setembro de 2026 às 09:34

BBC News Brasil

Publicado em 

10 set 2026 às 09:34
Imagem BBC Brasil
Trump diz aos apoiadores que o voto deles decidirá se o país "tropeçará" ou "seguirá em frente" Crédito: Getty Images

A primeira convenção de meio de mandato do Partido Republicano, nos Estados Unidos, teve todos os elementos de um tradicional encontro de ano eleitoral presidencial: apoiadores com roupas brilhantes, uma sequência ininterrupta de discursos de candidatos e vendedores de artigos de campanha.

Mas, diferentemente de uma convenção comum, nenhum assunto oficial do partido foi tratado em Dallas.

Em vez disso, o evento serviu como um comício para republicanos que buscam aumentar o comparecimento às urnas e evitar perder o controle do Congresso em novembro.

O presidente Donald Trump, cujo domínio sobre o partido continua absoluto, fez um longo discurso principal na quarta-feira, durante a noite de abertura do evento de dois dias.

Entre as falas, Trump prometeu pagar US$ 5 mil (cerca de R$ 25,5 mil) a cada cidadão americano adulto caso os republicanos vençam nas duas Casas do Congresso nas eleições de novembro. Ele não detalhou como o plano funcionaria nem de onde viria o dinheiro.

Também disse que a guerra no Irã vai acabar logo após as eleições de novembro, afirmando que Teerã "não aguenta mais".

Veja abaixo quatro conclusões que podem ser tiradas do evento.

1. Pregando para o grupo MAGA

A enorme arena estava cheia de apoiadores fervorosos de Trump usando roupas vermelhas MAGA (sigla para Make America Great Again) de suas campanhas presidenciais anteriores. Uma década após sua primeira candidatura à Casa Branca, Trump continua amado por sua base e, desde então, dobrou o partido à sua vontade.

A cúpula republicana à moda antiga, ou o que restou dela na era Trump, não estava em lugar algum. A senadora Susan Collins, do Maine, e outros republicanos que disputam eleições acirradas optaram por ficar de fora.

Imagem BBC Brasil
Crédito: Getty Images

A ausência de republicanos mais moderados era evidente e serviu como lembrete de quanto o partido mudou.

Isso também levantou dúvidas sobre a eficácia de realizar uma convenção de meio de mandato.

O público principal, tanto na arena quanto o que assistia pela televisão, parecia ser formado por pessoas leais a Trump, e não pelos moderados e eleitores indecisos que o Partido Republicano precisa mobilizar em grande número em novembro.

2. O partido ainda é de Trump

O domínio total de Trump sobre o partido levanta algumas questões pertinentes sobre seu futuro.

Quem o substituirá? E, mais imediatamente, para as eleições de novembro, como o partido se sairá quando o nome dele não estiver na cédula?

Imagem BBC Brasil
Crédito: Getty Images

Trump ofereceu uma solução simples para a segunda questão na noite de quarta-feira.

Depois de alertar que o presidente em exercício tende a perder as eleições de meio de mandato, ele disse à multidão: "Estou pedindo que vocês finjam que meu nome está na cédula."

A declaração foi um reconhecimento de Trump de que ele continua sendo, no partido, o maior impulsionador para levar eleitores às urnas.

Também evidencia o desafio que os republicanos enfrentam tanto em novembro quanto na próxima eleição presidencial, em 2028.

Trump não estará novamente na cédula e, embora possa continuar fazendo campanha pelo partido, não há um sucessor claro ou evidente que consiga mobilizar a base como ele.

Em entrevistas à BBC, participantes da convenção frequentemente olhavam para a eleição daqui a dois anos e discutiam quem deveria ser o sucessor de Trump.

O vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio foram mencionados com frequência como principais candidatos.

Trump, no entanto, deixou claro em Dallas que ainda está no comando e não tem pressa de abrir mão dos holofotes.

3. Guerra no Irã continua

Mais cedo, na quarta-feira, enquanto partia para a convenção, Trump reconheceu que os americanos talvez tenham de esperar mais algum tempo para terem algum alívio nos altos preços dos combustíveis.

"Acho que vai demorar um pouco mais do que as eleições de meio de mandato", disse Trump.

O presidente repetiu essa mensagem em seu discurso, argumentando que a dor econômica de curto prazo causada pela guerra no Irã valia a pena para impedir Teerã de desenvolver armas nucleares.

"Acho que a guerra vai acabar logo após a eleição, porque eles não aguentam mais", disse Trump sobre Teerã na quarta-feira.

Ele acrescentou que o Irã estava "desesperado para tentar influenciar a eleição, de modo que pudéssemos colocar lá um belo grupo de pessoas fracas" — uma aparente referência aos democratas — "e deixá-los em paz, permitindo que tivessem sua arma nuclear".

Mas essa pode ser uma mensagem difícil de transmitir a eleitores que sentem o impacto dos preços mais altos.

Pesquisas têm indicado de forma consistente nos últimos meses que o custo de vida é uma das principais questões para os americanos.

A taxa de aprovação de Trump também foi afetada à medida que a guerra no Irã se prolongou.

Uma pesquisa do jornal Financial Times / Focaldata divulgada no domingo indicou que esta aprovação atingiu uma nova mínima, com apenas 33% dos eleitores registrados aprovando seu desempenho como presidente.

Muitos candidatos republicanos podem ter esperado uma mensagem mais direta sobre como lidar com o custo de vida e encerrar rapidamente a guerra no Irã.

4. Trump propõe pagamento de US$ 5 mil

Trump costuma lançar ideias pouco convencionais em comícios.

Na noite de quarta-feira, isso tomou a forma de uma oferta para pagar US$ 5 mil (cerca de R$ 25,5 mil) a cada cidadão americano adulto caso os republicanos vençam nas duas Casas do Congresso em novembro.

A única condição, disse Trump, era que o dinheiro teria de ser gasto nos EUA.

Ele não deu detalhes sobre como o plano funcionaria, de onde viria o dinheiro ou como o governo dos EUA monitoraria como desse dinheiro seria gasto.

Os democratas rapidamente classificaram a proposta como "promessa vazia", e outros questionaram se tal compromisso seria sequer legal.

Há quase 270 milhões de adultos americanos, o que significa que um pagamento de US$ 5 mil custaria ao governo dos EUA cerca de US$ 1,3 trilhão (R$ 6,6 trilhões).

A possibilidade ou não do plano ser viável pareceu ser irrelevante. A ideia foi recebida com aplausos entusiasmados na convenção, e Trump pareceu aproveitar o momento.

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