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Como entrada da Arábia Saudita em ataques no Iraque reforça ideia de guerra ampliada no Oriente Médio

Comando Central dos EUA afirma que grupos paramilitares dominados por milícias xiitas no Iraque lançaram ataques contra bases americanas e a infraestrutura energética saudita.

Publicado em 29 de Julho de 2026 às 07:35

BBC News Brasil

Publicado em 

29 jul 2026 às 07:35
Imagem BBC Brasil
Equipes de segurança e emergência iraquianas trabalham no local de um ataque em Muqdadiyah, província de Diyala Crédito: AFP
A Arábia Saudita e os Estados Unidos realizaram ataques contra milícias apoiadas pelo Irã no Iraque, em uma potencial escalada do conflito no Oriente Médio.
O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que os ataques foram contra "terroristas alinhados ao Irã que a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) ordenou que atacassem as forças americanas e a infraestrutura energética saudita".
As Forças de Mobilização Popular (PMF) do Iraque, dominadas por milícias xiitas apoiadas pelo Irã, disseram que pelo menos 20 de seus membros foram mortos em ataques conjuntos entre EUA e Arábia Saudita contra suas bases.
Isso ocorreu horas depois de o Centcom ter afirmado que o Irã lançou mísseis contra forças americanas no Oriente Médio em uma "tentativa de ataque surpresa", pondo fim a uma trégua nas hostilidades.
Os EUA disseram que o ataque iraniano ocorreu às 17h45 de terça-feira, no horário de Brasília, com todos os mísseis "interceptados com sucesso".
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou que os mísseis tinham como alvo uma base aérea americana e um centro de comando na Jordânia "em resposta aos atos de agressão do exército americano assassino de crianças".
Também afirmou que as forças navais atacaram três petroleiros no estreito de Ormuz depois que eles "ignoraram os avisos" e navegaram pelo que descreveu como uma "rota insegura e ilegal" através da importante hidrovia do Golfo.
O Comando Central (Centcom) disse que caças americanos e sauditas atacaram "diversos locais de logística e armas terroristas no leste do Iraque em forte resposta a mais de 30 ataques aéreos com drones dirigidos pela IRGC nas últimas 72 horas".
O Centcom classificou os ataques com drones como "injustificados" e acrescentou que eles fracassaram.
"A IRGC e seus aliados terroristas devem cessar esses ataques para evitar uma resposta militar americana adicional", afirmou o comunicado do Centcom.
As Forças de Mobilização Popular (PMF) afirmaram em um comunicado na manhã de quarta-feira que pelo menos 20 de seus combatentes foram mortos e 32 ficaram feridos em ataques conjuntos entre EUA e Arábia Saudita contra várias de suas bases no Iraque.
A organização classificou os ataques como uma "escalada perigosa", bem como uma violação da soberania do Iraque.
As PMF são uma organização guarda-chuva de milícias predominantemente xiitas que foi formalmente integrada às forças armadas iraquianas. Elas incluem diversos grupos apoiados pelo Irã, que fazem parte de uma rede de grupos aliados que Teerã utiliza há anos para promover seus interesses no Oriente Médio.
Essas milícias atacaram pessoal e interesses dos EUA no Iraque em diversas ocasiões, com o objetivo de forçar a saída das tropas americanas restantes do país. Os EUA retaliaram regularmente contra as milícias.
Um oficial de defesa iraniano foi citado pela TV estatal negando qualquer ligação do Irã com os ataques de drones contra a Arábia Saudita, segundo a agência de notícias Reuters.
O oficial alertou que atribuir os ataques contra interesses americanos na região ao Irã foi um "grande erro de cálculo".
Imagem BBC Brasil
Um carro e um prédio danificados no local de um ataque em Bartalla, na província de Nínive, no norte do Iraque Crédito: AFP via Getty Images
Na terça-feira, a Arábia Saudita afirmou que suas forças armadas interceptaram e destruíram drones que tinham como alvo instalações petrolíferas na região leste do país.
O porta-voz do Ministério da Defesa, major-general Turki al-Maliki, alegou que os drones foram lançados por milícias ligadas ao Irã em território iraquiano.
A retomada das hostilidades ocorreu cerca de 24 horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter falado em "negociações muito amistosas" com o Irã. Naquele momento, os dois lados não haviam trocado ataques pelo terceiro dia consecutivo.
A pausa nos combates ocorreu após 13 noites seguidas de bombardeios dos EUA, que afirmaram ter destruído túneis e pontes no sul do Irã. Dezenas de pessoas teriam morrido nos ataques.
O acesso e o controle do estreito de Ormuz continuam sendo um ponto crucial de discórdia nas negociações, que Teerã nega estarem acontecendo.
Os preços do petróleo subiram no início da quarta-feira devido a preocupações de que uma escalada no conflito pudesse interromper ainda mais o transporte de energia pelo estreito.

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