BRASÍLIA - O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (6) que o ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, foi sequestrado na operação militar dos Estados Unidos do sábado (3).
O termo foi usado pelo representante do Brasil na OEA (Organização dos Estados Americanos), Benoni Belli, durante reunião do conselho permanente da entidade, em Washington.
"O momento atual é grave e evoca tempos que considerávamos ultrapassados, mas que voltam a assolar a América Latina e o Caribe. Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso", disse Belli.
Trata-se da primeira vez que uma autoridade do governo Lula usa publicamente o termo sequestro para se referir à remoção forçada de Maduro de Caracas – o ditador foi levado a Nova York para responder à acusação de narcotráfico.
Em sua primeira nota sobre o caso, Lula falou em captura de Maduro.
De acordo com interlocutores no Itamaraty, o ministro Mauro Vieira já havia usado o termo sequestro para se referir à captura de Maduro durante a reunião da OEA, no domingo (4). Esse encontro, no entanto, não oi transmitido.
Nesta terça (6), Belli disse que os fins não podem justificar os meios.
"Esse raciocínio carece de legitimidade e abre a possibilidade de conferir aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, o que é certo ou errado, e de ignorar as soberanias nacionais, ditando as decisões que devem tomar os mais fracos", declarou.