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Japão ultrapassa pela primeira vez 100 mil pessoas com 100 anos ou mais: o que há por trás dessa longevidade

Os números mostram que 88% dos centenários são mulheres em um cenário de contínuo envelhecimento e redução da população do país.

Publicado em 15 de Setembro de 2026 às 18:34

BBC News Brasil

Publicado em 

15 set 2026 às 18:34
Imagem BBC Brasil
Havia apenas 153 centenários no Japão quando começaram os registros, em 1963. Hoje, eles são 107.677. Crédito: Getty Images

O número de pessoas com 100 anos de idade ou mais no Japão superou os 100 mil pela primeira vez, segundo o Ministério da Saúde do país.

Os registros mostram que o Japão, atualmente, abriga 107.677 centenários, o número mais alto do mundo. Destes, 88% são mulheres.

A mulher mais idosa é Kishimoto Fuyo, de 114 anos, originária de Kyoto. E o homem mais velho é Kato Hikaru, de 112 anos, da cidade de Kumamoto.

O ministro da Saúde, Kenichiro Ueno, declarou ficar "encantado ao ver tantas pessoas vivendo por tanto tempo, saudáveis e ativas". Ele menciona os avanços da medicina e da tecnologia.

Mas o ministro também alerta sobre o desafio enfrentado pelo país para manter a sustentabilidade do seu sistema de previdência social.

Os especialistas atribuem a longevidade dos japoneses a diversos fatores, como sua dieta saudável e seu estilo de vida ativo.

A cozinha do país asiático consiste principalmente de peixes, verduras e arroz. E seus pratos contêm menos gorduras saturadas do que muitas dietas ocidentais.

Os idosos também caminham, usam transporte público, andam de bicicleta e fazem exercícios regularmente.

Imagem BBC Brasil
Acredita-se que a alimentação japonesa, composta principalmente de peixes, verduras e arroz, seja um dos motivos da longevidade da população do país Crédito: Getty Images

O envelhecimento da população

O Japão vivencia há anos um processo de envelhecimento da sua população. A venda de fraldas geriátricas no país, por exemplo, superou a de fraldas para bebês há mais de uma década.

As empresas também desenvolveram novos produtos para a população de idade avançada, como um exoesqueleto motorizado para ajudar a mover diversas partes do corpo e óculos que ajustam seu foco automaticamente.

Para repor sua população, cada mulher precisa dar à luz, em média, 2,1 filhos. Mas, no ano passado, a taxa de fecundidade total do Japão atingiu o mínimo histórico de 1,14.

Pesquisa do Instituto Nacional de População e Previdência Social do país indica que a população total do Japão cairá para 87 milhões de habitantes até 2070. O número representa uma queda de 30% em relação ao pico de 128 milhões de pessoas, atingido em 2008.

Atualmente, os cidadãos com 65 anos ou mais representam cerca de 30% da população. Espera-se que eles atinjam quase 40% até 2070.

'Emergência silenciosa'

As autoridades japonesas chamam esta tendência de "crise existencial". E a primeira-ministra do Japão, Sanae Takichi, descreveu a queda da população como uma "emergência silenciosa".

Em 2025, a população japonesa diminuiu em 45 das 47 províncias do país. E o ritmo de redução vem se acelerando.

Os diversos programas e subsídios governamentais para incentivar os jovens a terem mais filhos não parecem estar impulsionando as taxas de natalidade.

Especialistas afirmam que os motivos da queda populacional são complexos. Eles incluem desde o menor número de casamentos até a maior incorporação das mulheres ao mercado de trabalho e o aumento dos custos da criação de filhos.

A imigração aumentou no Japão nos últimos anos, mas os estrangeiros representam apenas cerca de 3% da população japonesa. E a oposição à entrada de novos imigrantes vem aumentando.

Imagem BBC Brasil
A imigração no Japão aumentou nos últimos anos, mas continua sendo baixa, em comparação com outras economias desenvolvidas Crédito: AFP via Getty Images

O Japão iniciou seu censo de centenários em 1963. Havia na época 153 pessoas com 100 anos de idade ou mais.

Este número cresceu para 1 mil em 1981, chegou a 10 mil pessoas em 1998 e continuou aumentando, até atingir os 107.677 do último levantamento.

Os números mais recentes foram publicados antes do feriado público anual de "Respeito aos idosos", comemorado no Japão. Nele, o governo homenageia os cidadãos que completam 100 anos de idade com uma carta pessoal e um copo de saquê tradicional.

Estudos anteriores colocaram em dúvida a exatidão dos números totais de centenários do país. Eles sugerem que erros nos dados, registros públicos pouco confiáveis e falta de certidões de nascimento podem explicar esses altos números.

Em uma auditoria governamental dos registros familiares no Japão, realizada em 2010, mais de 230 mil pessoas registradas como tendo 100 anos de idade ou mais não puderam ser localizadas. Algumas delas haviam morrido há décadas.

O erro da contagem foi atribuído a falhas na manutenção dos registros e suspeitas de que algumas famílias possam ter tentado ocultar a morte de parentes idosos, para receber suas aposentadorias.

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