O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Conselho da Paz criado por seu governo chegou a um acordo para o "desarmamento completo" do Hamas e de outros grupos armados em Gaza.
Um alto dirigente do Hamas disse à BBC que o grupo aceitou o plano do Conselho da Paz para se desarmar completamente e que uma declaração oficial será divulgada em breve. Israel ainda não se pronunciou.
Trump afirmou que Israel se retiraria de Gaza "à medida que o desarmamento for concluído" e classificou o acordo como "um passo crítico para que Gaza finalmente seja governada por um novo governo palestino".
A segunda fase do plano de cessar-fogo em Gaza, mediado pelos Estados Unidos, inclui o desarmamento do Hamas. Essa etapa também prevê a reconstrução da Faixa de Gaza.
O acordo
Em uma publicação na rede Truth Social nesta quinta-feira, o presidente dos EUA afirmou:
"Este é um marco importante na implementação do Plano de 20 Pontos de Trump. O acordo será executado em fases cuidadosamente estruturadas. À medida que o desarmamento for concluído, as forças israelenses se retirarão, e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade de garantir que Gaza seja segura para seus moradores e seus vizinhos."
Trump também agradeceu aos mediadores do Egito, Catar e Turquia.
O Cairo será sede de uma reunião de mediadores sobre a segunda fase do plano de cessar-fogo, segundo informou a agência AFP, citando veículos de imprensa estatais egípcios.
Antes disso, fontes não identificadas ouvidas pela agência Reuters disseram que as negociações entre mediadores e líderes do Hamas no Cairo sobre a implementação do plano de paz haviam registrado avanços considerados raros.
Um funcionário israelense, no entanto, afirmou que os termos propostos não eram satisfatórios.
Após o anúncio de Trump, o jornal Times of Israel informou, citando uma fonte não identificada, que o acordo havia sido assinado entre negociadores do Hamas, representantes do Conselho da Paz e países mediadores.
Mas acrescentou que "uma autoridade israelense" divulgou um comunicado afirmando que a proposta de desarmamento não atendia às exigências de Jerusalém.
Veículos de imprensa israelenses informaram que Israel se opunha a um acordo que estava sendo discutido com o Hamas.
A BBC obteve o texto do roteiro de quatro páginas, que estabelece um processo em fases ligando o desarmamento do Hamas a uma retirada militar israelense gradual e à implementação de uma nova autoridade palestina de transição, apoiada por uma força internacional de estabilização.
Autoridades americanas disseram que o plano foi elaborado com base em uma lógica de desconfiança mútua e mecanismos de verificação, com nem o Hamas nem Israel avançando para a próxima fase até que o outro lado cumpra seus compromissos.
Segundo elas, grupos menores em Gaza seriam desarmados primeiro, antes de o Hamas começar a desmantelar o que descreveram como sua infraestrutura militar semelhante à de um Estado, incluindo túneis, depósitos de armas e instalações de produção. As autoridades reconheceram, porém, que esse processo levaria consideravelmente mais tempo.
Após a conclusão das fases previstas no roteiro, uma nova autoridade palestina teria controle total sobre as armas em Gaza.
As negociações no Cairo
Em abril deste ano, o Hamas rejeitou o plano de desarmamento apresentado por uma figura-chave nos esforços de paz de Trump para Gaza, segundo disse à BBC um alto funcionário palestino familiarizado com as negociações.
No início deste mês, o Hamas escolheu um novo líder, Khalil al-Hayya. Ele substituiu Yahya Sinwar, morto em um ataque do Exército israelense em Gaza em outubro de 2024.
Como principal negociador do Hamas, Hayya liderou as delegações do grupo em negociações indiretas de cessar-fogo, reunindo-se com mediadores no Egito e no Catar.
Inicialmente, acreditava-se que o Conselho da Paz tinha como objetivo ajudar a encerrar a guerra entre Israel e Hamas em Gaza e supervisionar a reconstrução do território. No entanto, o estatuto proposto do grupo não menciona o território palestino e parece ter sido criado para substituir funções exercidas pela ONU na região.
O Hamas liderou um ataque contra Israel em 7 de outubro de 2023, no qual 1.200 pessoas morreram e 251 foram feitas reféns.
Israel respondeu lançando uma ampla campanha militar em Gaza, durante a qual mais de 73 mil pessoas morreram, incluindo 21.280 crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.