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Pausa para hidratação na Copa 2026: quem ganha e quem perde com nova regra

Nova regra do Mundial deste ano prevê pausa para hidratação na metade de cada tempo da partida. Medida foi adotada devido às condições de calor extremos nos países-sede, mas tem sido questionada por 'quebrar o ritmo' das partidas.

Publicado em 16 de Junho de 2026 às 08:35

BBC News Brasil

Publicado em 

16 jun 2026 às 08:35
Imagem BBC Brasil
Muitos jogos na Copa do Mundo 2026 estão acontecendo sob calor extremo Crédito: Reuters
Tornou-se uma cena comum nos jogos da Copa do Mundo 2026: aos 22 minutos de cada tempo, o árbitro interrompe a partida para que os jogadores se hidratem.
A pausa obrigatória de três minutos para hidratação, adotada em todos os 104 jogos do Mundial, foi criada para ajudar os atletas a enfrentar o calor intenso e os altos níveis de umidade no México, no Canadá e nos Estados Unidos.
Mas nem todos aprovam a medida.
Alguns classificam as pausas como interrupções comerciais destinadas a agradar às emissoras de TV dos Estados Unidos.
As pausas para hidratação acontecem até mesmo em estádios com teto retrátil e controle climático interno.
Questionado sobre a interrupção em cada tempo de todas as partidas, Mauricio Pochettino, técnico dos Estados Unidos, um dos países-sede da Copa, afirmou:
"Não gosto disso. Só acho válido quando as condições são extremas.
Mas, quando as condições são boas, é desnecessário."
Então, quem ganha e quem perde com as pausas para hidratação na Copa do Mundo? E como elas têm influenciado os primeiros jogos do torneio?
Imagem BBC Brasil
O Brasil empatou contra o Marrocos logo depois de o técnico Carlo Ancelotti reunir seus jogadores durante uma pausa para hidratação para discutir questões táticas Crédito: Getty Images

'Pausas para hidratação? Eu chamo de pausas para quebrar o ritmo'

Quando os jogadores do Brasil pararam para se hidratar no meio do primeiro tempo, no jogo do último sábado (13/6) em Nova Jersey, a equipe perdia por 1 a 0 para o Marrocos após um início apagado.
Seis minutos depois da retomada da partida, o placar estava empatado.
É verdade que o gol nasceu de um momento de brilho individual de Vinicius Jr., que cortou para o meio com o pé direito antes de acertar um belo chute no ângulo.
Mas, como reconheceu o técnico Carlo Ancelotti após o jogo, a pausa para hidratação permitiu que ele transmitisse novas orientações aos jogadores e ajustasse o esquema tático.
Depois de ser dominada pelo adversário, a seleção brasileira passou a controlar o ritmo da partida.
"Você pode explicar um problema aos jogadores", afirmou o treinador italiano ao ser questionado sobre os benefícios das pausas.
"[Você pode] fazer um ajuste tático que pode ser muito útil."
Imagem BBC Brasil
Carlo Ancelotti dando instruções aos jogadores brasileiros durante pausa para hidratação na partida contra o Marrocos Crédito: Reuters
Se as pausas para hidratação existem para proteger o bem-estar dos jogadores, os treinadores deveriam poder aproveitar esse momento para passar novas instruções?
A técnica da seleção feminina dos Estados Unidos, Emma Hayes, afirmou à ITV Sport que interromper a partida acaba com o ritmo da seleção que está melhor no jogo.
"Isso beneficia o time que está perdendo o ritmo da partida — por isso eu as chamo de pausas de ritmo", disse.
"Quando você está por cima, não quer a pausa; quando está perdendo, quer. Às vezes, nem se trata de orientar a equipe durante a pausa para hidratação. É apenas uma questão de beber água e acalmar os jogadores. Em alguns casos, não fazer nada também pode ser considerado uma forma de orientação", acrescentou.
"É uma pena. Entendo a necessidade em regiões realmente muito quentes, mas parece que isso pode acabar se tornando algo permanente."
Assim como o Brasil, o Canadá também empatou a partida de estreia logo após uma pausa para hidratação — desta vez no segundo tempo — quando o atacante Cyle Larin, que saiu do banco, marcou o gol que anulou a vantagem da Bósnia.
A Escócia fez o único gol da vitória sobre o Haiti pouco depois de uma dessas pausas, enquanto a Austrália abriu o placar em circunstâncias semelhantes na vitória por 2 a 0 sobre a Turquia.
Juan Mata, campeão mundial com a Espanha em 2010, afirmou que não teria gostado de uma interrupção de três minutos em cada tempo quando ainda era jogador.
"Como jogador, acho que isso não é positivo", disse à ITV Sport.
"Quando você está perdendo, quer marcar; quando está vencendo, quer manter a posse de bola. Acho que essas pausas quebram o ritmo do jogo."
Imagem BBC Brasil
Técnico do Marrocos, Mohamed Ouahbi, conversando com Neil el Aynaoui durante a pausa para hidratação no jogo com o Brasil Crédito: Getty Images

'Mais um jeito de inserir publicidade no jogo'

Então, quem são os prejudicados, além dos torcedores que desembolsaram um valor alto pelos ingressos para assistir a um futebol dinâmico e envolvente?
A estreante Curaçao viveu um momento de sonho ao empatar em 1 a 1 com a Alemanha pouco antes da pausa para hidratação do primeiro tempo, em Houston, no domingo (14/6).
No entanto, o menor país em território e população a disputar uma Copa do Mundo não foi o mesmo após a retomada da partida e acabou derrotado por 7 a 1, depois que a interrupção permitiu aos alemães se reorganizarem.
A República Tcheca dominava o primeiro tempo contra a Coreia do Sul, mas a pausa para hidratação interrompeu o momento de pressão e, quando a partida recomeçou, a equipe perdeu o embalo.
Mesmo saindo na frente, acabou derrotada por 2 a 1.
Já a Holanda vencia o Japão por 2 a 1 antes da pausa para hidratação do segundo tempo, em Arlington, no Texas, no domingo (15/6). A equipe não conseguiu manter a vantagem e cedeu o empate em 2 a 2.
É claro que as pausas para hidratação nem sempre são a causa dessas mudanças de rumo no jogo.
Mas, à medida que o torneio avança, ficará mais claro se elas estão se tornando um fator decisivo.
O ex-atacante do Arsenal e da seleção inglesa Ian Wright deixou clara sua posição sobre o assunto.
"Acho que isso é apenas mais uma forma de inserir publicidade na transmissão, do ponto de vista americano", afirmou.
A emissora americana Fox exibiu comerciais além do tempo previsto durante uma pausa para hidratação na partida de abertura da Copa, entre México e África do Sul.
"Eles usam o argumento de que é para beneficiar os jogadores, mas, para mim, não é", acrescentou Wright.
Apesar das críticas, há quem considere a medida positiva.
"Estou sempre preocupado com a saúde dos meus jogadores. Acho que é a decisão correta: fazer uma pausa, recuperar o fôlego e continuar", afirmou o técnico da Espanha, Luis de la Fuente, antes da estreia de sua equipe contra a estreante Cabo Verde, nesta segunda-feira (15/6).
A partida foi realizada em Atlanta, em um estádio com teto retrátil e controle de temperatura. O jogo ficou empatado em 0 a 0, marcado por grandes defesas do goleiro Vozinha, da seleção africana.
"Ao longo da semana enfrentamos temperaturas muito altas. É muito difícil ficar exposto a esse calor por tanto tempo quando se está trabalhando. Na minha opinião, o melhor a fazer é beber bastante água. Fazer uma pausa e permitir que os jogadores recuperem o fôlego por alguns segundos", acrescentou de La Fuente.

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