O governo do Equador solicitou, na quinta-feira (11/06), cooperação internacional para investigar a morte da ativista polonesa Monika Silva Koniuszek, encontrada morta na segunda-feira (8) em sua casa em Montañita, província de Santa Elena, no sudoeste do país.
Um dia após sua morte, o ministro do Interior, John Reimberg, afirmou que, enquanto se aguardava o resultado da autópsia, a hipótese inicial era de suicídio: "As evidências necessárias para chegar a essa conclusão foram encontradas no local", declarou à imprensa local.
Com o passar dos dias, a União Europeia (UE) pediu "uma investigação rápida, completa, independente e transparente para esclarecer as circunstâncias e garantir a responsabilização".
O governo polonês, por meio de sua embaixada no Peru, que também trata de assuntos diplomáticos no Equador, uniu-se ao pedido de investigação e enfatizou a importância da proteção dos líderes da sociedade civil. "Garantir condições seguras para o exercício da atividade cívica, bem como para o exercício dos direitos fundamentais e das liberdades civis, é uma obrigação essencial de todo Estado de Direito", declarou a missão diplomática.
Silva era presidente da Fundação Integridade, uma organização focada na promoção da transparência, fiscalização social e participação cidadã. Ela havia denunciado casos de suposta corrupção, conflitos de propriedade de terras, irregularidades administrativas e problemas ambientais em Santa Elena.
Ela também exigiu justiça pela morte de Robinson del Pezo, um jornalista comunitário da província que também investigava denúncias relacionadas a supostas irregularidades na gestão de terras.
Na terça-feira (9), dezenas de pessoas participaram de uma vigília à luz de velas na cidade de Manglaralto para exigir justiça pela morte da ativista.
'Fiscalização cidadã'
Em seu perfil nas redes sociais, ela se descrevia como uma "ativista anticorrupção, defensora da Mãe Terra e de grupos vulneráveis". A descrição do perfil dizia: "Você não precisa ter nascido no Equador para amá-lo e defender o que é certo".
"Monika dedicou sua vida à luta para melhorar as condições de vida dos moradores da zona rural de Santa Elena, gravemente afetados pela pobreza, desnutrição infantil, desemprego e falta de serviços básicos", afirma a Fundação La Integridad em seu site.
Para essa organização não governamental, a raiz desses problemas "é a corrupção sistêmica e a injustiça profundamente enraizada".
Como relata o portal de notícias equatoriano Primicias, "Montañita, onde a ativista morava, é um destino turístico popular em Santa Elena, com uma presença significativa de estrangeiros que estão de passagem ou que vieram morar lá".
Por sua vez, o jornal La Hora publicou o depoimento do jornalista Iván Flores, que conheceu Silva em 2025:
"Ele dedicou pelo menos os últimos 12 anos de sua vida à fiscalização cidadã, ao ativismo anticorrupção, porque a Península de Santa Elena possui muitas atrações turísticas, belas paisagens naturais, e isso poderia ser uma fonte de sustento para as comunidades."
"Mas havia muitos interesses imobiliários que gradualmente alteraram a vida e a rotina diária dessas regiões", explicou Flores.
Nas últimas horas, o Ministério Público equatoriano convidou especialistas estrangeiros a participarem da investigação para que possam "fornecer elementos técnicos especializados aos procedimentos em andamento no âmbito do caso e contribuir para o esclarecimento dos fatos".
"Nosso compromisso é ajudar a verdade a vir à tona e não deixar dúvidas sobre o que aconteceu", respondeu o Ministério do Interior.
Insegurança no Equador
A morte do ativista polonês, embora ainda não tenha sido determinado se foi suicídio ou homicídio, ocorreu em um mês que começou com uma situação de segurança delicada para o governo equatoriano.
Em 4 de junho, as autoridades de Guayaquil confirmaram que corpos encontrados dentro de sacos de juta em uma área rural do litoral equatoriano pertenciam a oito jovens que estavam desaparecidos desde 31 de maio.
Tratava-se de um grupo de jovens — com idades entre 15 e 31 anos — que havia saído naquele dia em quatro motocicletas da cidade Daule rumo a Milagro, a menos de uma hora de distância.
Os corpos foram encontrados empilhados na beira de uma estrada na província de Los Ríos.
Naquele mesmo dia 4 de junho, o chefe da Força Aérea Equatoriana, General Mauricio Salazar, reconheceu a responsabilidade do Estado equatoriano pelo desaparecimento e morte de quatro menores em 2024: os irmãos Ismael e Josué Arroyo, Saúl e Steven, conhecidos como os Quatro de Guayaquil.
Os quatro corpos foram encontrados carbonizados e com sinais de tortura em um rio próximo à Base Aérea de Taura, a 35 quilômetros da cidade.
O Ministro da Defesa do Equador, Gian Carlo Loffredo, havia atribuído o desaparecimento dos menores a "grupos criminosos". Mas, dias depois, mudou sua versão e admitiu que os menores haviam sido detidos por uma patrulha de 16 soldados que viajavam em dois veículos.
O chefe da Força Aérea ofereceu um pedido público de desculpas e reconheceu a responsabilidade do Estado perante as famílias dos quatro menores.
Os eventos ocorreram doze meses após o presidente Daniel Noboa iniciar seu segundo mandato, prometendo retomar o controle do Equador combatendo a insegurança e declarando guerra ao crime organizado.
Desde então, sua estratégia de segurança tem consistido em decretos contínuos de toque de recolher ou estados de emergência em várias províncias, restringindo certos direitos dos cidadãos para conter a violência e o crime.
Desde que assumiu a presidência em 2013, Noboa decretou sete toques de recolher, o mais recente em maio, afetando nove províncias.
Essas medidas incluem restrições à livre circulação de pessoas e a suspensão do direito à inviolabilidade do domicílio para permitir que as forças de segurança realizem operações.
Mas o número de mortes continua a aumentar drasticamente no Equador: 2015 terminou com 9.216 homicídios, segundo dados do Ministério do Interior, tornando-se o ano mais violento da história do país e, em comparação com 2014, apresentando um aumento de 30,48% nos homicídios.