Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Na realidade dos grandes centros, pedalar é um ato de coragem
Mobilidade

Na realidade dos grandes centros, pedalar é um ato de coragem

A cidade e seus códigos de trânsito escolhe a velocidade e expulsa os lentos. Os ciclistas não têm espaço. A velocidade empurra, atropela e passa por cima dos que não conseguem acompanhar o seu ritmo veloz

Publicado em 29 de Outubro de 2019 às 05:00

Públicado em 

29 out 2019 às 05:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

serpaubrangio@yahoo.com

A prática do ciclismo vem recebendo cada vez mais adeptos, apesar da falta de espaço para eles nas cidades Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil
Os números mostram o quão desafiador é ser ciclista no Espírito Santo: 44% foi o aumento em acidentes com ciclistas só este ano, com mais de mil atendimentos, segundo dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A soma dos desafios aumenta com a falta de ciclovias, sinalização inadequada e a invisibilidade dos corpos dos ciclistas.
Mas esse fato que poderia desanimar os amantes do pedal parece que os encoraja a enfrentar o cotidiano tenso da vida urbana. Por esporte ou necessidade, os capixabas aderem a este transporte que promete mudar a vida de muitos. Vide os dados da Federação Espírito Santense de Ciclismo (Fesc) que revela o aumento crescente do uso de bicicletas em todo Espírito Santo, de modo especial na Grande Vitória.
Contudo, a prática segura exige que o veículo tenha sinalização noturna refletiva, campainha, espelho retrovisor e lanternas. Do praticante ou condutor, exige-se luvas, capacetes e, acima de tudo, atenção e cuidado. Mas essas e outras exigências que visam proteger os ciclistas têm um custo elevado. Por isso, encontramos em ciclovias invisíveis das cidades, sem proteção alguma, o ciclista com sua “magrela”.
A cidade e seus códigos de trânsito escolhe a velocidade e expulsa os lentos. Os ciclistas não têm espaço. A velocidade empurra, atropela e passa por cima dos que não conseguem acompanhar o seu ritmo veloz. Estes cabem na cidade! Ela é feita para corpos normativos. Eles se adaptam às regras impostas. Já o ciclista, é um errante. Então por que ainda insistem em pedalar em suas avenidas? O que faz alguém sair de casa e usar a bicicleta como meio de transporte? Por que pedalar numa “cidade que não lhes dão as boas-vindas”?
Para Gustavo Gabler, pesquisador capixaba do ciclista anônimo, a cidade apresenta relações de encontros com diferentes ritmos interligados que permitem múltiplas maneiras de sentir e viver em seus espaços urbanizados. Mas esta vivência é sintoma da crise de mobilidade que estamos vivendo. Neste contexto, a bicicleta é uma alternativa para enfrentar os novos desafios no ir e vir das cidades motorizadas.
Resta ao poder público ir além dos discursos e investir em politicas públicas que tomem como referência a exposição e o risco de vida diário dos corpos de ciclistas em nossas cidades. Só assim poderão desenvolver novas formulações urbanas que priorize os diversos e múltiplos espaços que garantem o ir e vir seguro para os ciclousuários capixabas.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini se abraçam em evento do PL em Vitória (18/07/2026)
Chapa Bolsolini formada: o que Pazolini ganha a partir do abraço em Flávio Bolsonaro
Imagem de destaque
Escassez de combustível afeta a Rússia, mas será suficiente para fazer Putin mudar de estratégia na Ucrânia?
Vídeo que circula nas redes sociais mostra um torcedor argentino imitando um macaco na frente um homem negro em Morro de São Paulo, destino turístico no Sul da Bahia
Argentino que imitou macaco para homem negro tem prisão decretada na BA

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados