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Paulo Bonates

Nação está desesperada, e o poder desconsidera a inteligência

Pode ser distração minha, mas não vejo nada que aponte na direção da devolução de fortunas roubadas descaradamente do patrimônio do povo brasileiro

Publicado em 25 de Maio de 2018 às 10:49

Públicado em 

25 mai 2018 às 10:49
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

paulobonates@uol.com.br

Protesto em Viana: caminhões estão parados em acostamento Crédito: Ari Melo/TV Gazeta
Desculpem a minha santa ignorância em economês, especialmente no que diz respeito ao linguajar, às palavras cruzadas, algumas sem sentido nenhum. Uma pergunta que escapa de um jeitinho ou de outro é o destino dos bilhões, trilhões, quem sabe, afanados por canalhas com a conivência dos mandatários do país.
Pode ser distração da minha parte, mas não vejo nada que aponte na direção da devolução de fortunas roubadas descaradamente do patrimônio do bravo povo brasileiro. Todo santo dia mais ladrões são apresentados, usam tornozeleiras, fazem cara de réu, mobilizam ordas de advogados que muitas vezes se limitam a negar, simplesmente negar, apesar das provas, confissões e delações. Mas o tutu que é bom não volta. Aliás, não vejo ninguém perguntar ou seguir uma trilha bancária.
Quando vi o empenho desse, por assim dizer, presidente em reformar a Previdência, lembrei-me do incrível Fernando Collor – hoje mamando novamente no poder na maior cara de pau. A nova ordem imposta roubou do próprio funcionalismo público, principalmente o federal, o já minguado salário, impondo medidas absurdas com a força estúpida de uma ditadura. Por exemplo, fazendo desaparecer arbitrariamente um período de trabalho do servidor concursado, para embolsar grande parte dos seus direitos trabalhistas. Se o funcionário tem direito ao dinheiro equivalente ao trabalho em dois vínculos diferentes, reduz-se à metade caoticamente parte deste direito na aposentadoria.
Agorinha mesmo, quando vejo a exorbitância no preço a ser pago pelo combustível da Petrobras saqueada, só penso besteira. Esses delinquentes nos assaltam em massa, seja via Previdência, seja na mão grande, seja nos produtos alimentícios ou através dos famosos impostos e taxas públicas, como a da energia elétrica. O país sustenta a vergonhosa tradição de ser o detentor dos impostos mais altos do mundo, cuidadosamente embutidos no preço das mercadorias. Um nojo!
No momento em que escrevo, os caminhoneiros estão parados em todo o país protestando contra os abusos no preço do óleo diesel. Corre à boca miúda uma reação: não abastecer os veículos entre os dias 4 e 6 de junho próximos, como advertência. Já deu certo em 2003. Amigos, a nação tupiniquim está desesperada. As explicações do poder desconsideram a inteligência. Falam, fazem mímica, mas pouco se conhece sobre a recuperação da grana preta surrupiada. Esta, talvez, pudesse voltar a ocupar os buracos deixados no erário público. Não precisaria roubar o povo com essas mentiras cotidianas.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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