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Beatriz Seixas

Newton já dizia: toda ação tem uma reação

Declarações do presidente eleito têm grande repercussão desde a economia às relações exteriores

Publicado em 08 de Novembro de 2018 às 20:22

Públicado em 

08 nov 2018 às 20:22
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Presidente eleito Jair Bolsonaro em entrevista a TV Globo Crédito: Reprodução
A eloquência do palanque eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL) tem entrado em rota de colisão com o mundo político-econômico real. Desde que assumiu, o capitão e seus principais aliados, como Hamilton Mourão, seu vice, Paulo Guedes, o superministro da Economia, e Onyx Lorenzoni, futuro chefe da Casa Civil, ainda não encontraram o alinhamento necessário para passar a mensagem do novo governo à população.
Muito provavelmente não tenham chegado ainda a essa sintonia pelo “simples” fato de não terem construído um plano sólido de governo antes e ao longo da disputa eleitoral. Assim, agora, acabam correndo contra o tempo para definir prioridades e caminhos que desejam traçar, mas inevitavelmente se atropelam entre uma declaração e outra.
A impressão que o presidente eleito dá em alguns momentos é de que a ficha ainda não caiu. É como se ele não tivesse a real noção de que se tornou a pessoa mais importante e poderosa do país. E, ao contrário do que muitos e até ele próprio possam imaginar, essa concentração de poder não começa em 1º de janeiro de 2019, mas já o acompanha desde o dia 28 de outubro, quando 57,7 milhões de brasileiros o elegeram nas urnas.
Dessa forma, qualquer comentário ou atitude que venha do capitão tem a capacidade de repercutir de maneira impressionante, seja positiva ou negativamente. A famosa frase “As palavras têm poder” faz ainda mais sentido e soa como verdade absoluta quando é o presidente da República que está em questão.
O que é dito impacta nos resultados da Bolsa de Valores, nas relações comerciais e diplomáticas entre países, nos arranjos político-partidários, na confiança dos empresários e dos consumidores, na forma como o mundo enxerga o Brasil. É praticamente a terceira lei de Newton, com o princípio da ação e reação.
Alguns exemplos recentes comprovam essa tese. A intenção de Bolsonaro de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém fez com que o governo do Egito cancelasse um encontro entre representantes dos dois países. A então fusão entre os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura causou um reboliço em diversos segmentos dentro e fora do Brasil. As críticas frequentes à China levaram o governo asiático a responder, por meio do editorial de um jornal chinês, que o custo econômico da suspensão de acordos entre os países “pode ser duro para a economia brasileira”.
Claro que ninguém está falando aqui que Bolsonaro não possa mudar de ideia ou voltar atrás em algum posicionamento, até porque ter a capacidade de mudar de opinião também é uma virtude e mostra que a pessoa está aberta a ouvir o outro. Mas o presidente eleito precisa entender e assumir a responsabilidade das suas palavras e dos seus atos.
Nesta semana, o anúncio da extinção do Ministério do Trabalho voltou a lançar preocupações em torno do novo chefe do governo federal. A primeira delas é a falta de clareza presente em muitas das decisões que são tomadas pela equipe. Nesse caso, Jair Bolsonaro foi questionado sobre o que vai acontecer com a pasta, mas não soube explicar: “Será incorporada a algum ministério”, disse. Qual? Até agora a resposta não veio.
Outra preocupação é justamente o fato de o capitão querer tirar do Trabalho o status de ministério. O órgão existe há 88 anos e mudar sua estrutura em um momento em que o país precisa recompor o mercado de trabalho, que tem mais de 12,5 milhões de desempregados, é no mínimo prematuro. Enxugar a máquina pública deveria ser obrigação entre gestores, mas fazer isso às custas de áreas estratégicas e que colocam o Brasil como referência mundial – como com o combate ao trabalho escravo – não faz sentido.
Qual a lógica de acabar com o Ministério do Trabalho e ter no radar a criação do Ministério da Família? Especialmente considerando que este é um governo que tenta se vender como liberal (em parte na economia e em nada nos costumes). Bom, se existe alguma lógica, Bolsonaro e sua equipe ainda não conseguiram explicar, como em tantas outras ocasiões.
RUMO AO RECORDE 
O Banestes registrou lucro líquido de R$ 55 milhões no 3º trimestre deste ano, uma alta de 39,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. Pelos resultados dos nove primeiros meses de 2018, com R$ 136 milhões de lucro, tudo indica que a instituição está no caminho para bater seu recorde de lucratividade, uma vez que de janeiro a setembro de 2017 o lucro foi de R$ 124 milhões. Em 2017, o banco lucrou R$ 175,2 milhões.
EM STAND-BY
Falando em Banestes, segue indefinido quem será o novo presidente do banco. O governador eleito Renato Casagrande (PSB) ainda não anunciou quem assumirá o cargo. Questionado se seguirá na função, o atual gestor, Michel Sarkis, afirmou que ainda não houve nenhuma conversa com Casagrande ou integrantes da equipe de transição sobre o tema. Ainda assim, não descartou permanecer na presidência caso seja convidado.
Eco$nomia - Tirinha do Arabson - 09/11/2018 Crédito: Arabson

Beatriz Seixas

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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