Em todas as eleições, os comentários se repetem: “as pesquisas erraram” ou “as pesquisas acertaram”. Desta vez não foi diferente. Ouvi de algumas pessoas: “no Espírito Santo, as pesquisas acertaram para o governo, mas erraram para o Senado”. E com relação às eleições presidenciais: “as pesquisas só mostraram os votos de Bolsonaro no final”.
Lamento dizer aos críticos – a maioria, reconheço, bem intencionada – que as pesquisas não erraram porque simplesmente elas não são uma prévia do resultado das eleições. Em outras palavras, elas não são feitas para adivinhar o resultado das urnas. Para transcrever literalmente a pergunta que o pesquisador faz ao pesquisado, as pesquisas buscam saber qual seria o voto do eleitor se as eleições fossem realizadas naquele momento. Ou seja, elas são um retrato aproximado da realidade no instante em que a pesquisa é realizada.
As pesquisas são úteis porque são uma informação a mais sobre as eleições, e são importantes para eleitores, candidatos e autoridades
Como o voto não é dado naquele momento, ele pode ser mudado até a votação. E pode até não ser dado já que há casos de viagens inesperadas e eleitores que desistem de votar ou que erram o voto sem querer. E há os que preferem não revelar o seu candidato. Se assim é, qual é a utilidade de uma pesquisa?
As pesquisas são úteis porque são uma informação a mais sobre as eleições, e são importantes para eleitores, candidatos e autoridades. Para os eleitores porque, muitas vezes, eles decidem o seu voto pelos números das pesquisas, e não necessariamente pelo candidato que está à frente dos resultados. Para os candidatos, elas influenciam nas decisões sobre os rumos das campanhas. E para as autoridades, já que as pesquisas são um termômetro do clima eleitoral que, em alguns casos, pode recomendar atenção nas suas áreas de atuação.
Nas eleições de 2018, as pesquisas divulgaram informações sobre as tendências de voto que, segundo os especialistas, são mais importantes que os números absolutos. Elas mostraram a ascensão gradativa e consistente das intenções de voto em Bolsonaro (de 22% para 39% entre 22 de agosto e 4 de outubro) e Haddad (de 4% para 25% no mesmo período), que definiu o segundo turno. No caso do Espírito Santo, os retratos mostraram a tendência de a eleição para o governo ser decidida no primeiro turno e o crescimento dos dois candidatos que foram eleitos para o Senado.
As pesquisas não erraram nem acertaram. Elas foram apenas um retrato aproximado do que acontecia no momento em que foram feitas. O equívoco é achar que elas adivinhariam o resultado das eleições. Como se dizia antigamente, de barriga de mulher grávida, bumbum de neném e urna, ninguém é capaz de adivinhar o que vai sair.