Findaram-se as eleições. Doravante, que cessem os jogos difamatórios, os ataques pessoais, a histeria, o ódio. O que realmente importa é o país. Todos somos parte dele.
Que caia por terra, de vez, o “quanto pior melhor”. Quando perde o Brasil, todos perdem. Não é cabível desejar o fracasso de 210 milhões de indivíduos para regozijar-se ideologicamente. Não é preciso ser militante do presidente eleito para desejar que seu governo prospere.
Não trataremos de qualquer idolatria política, mas de fatos. Pela primeira vez assistiu-se a uma campanha presidencial financiada inteiramente por seus apoiadores civis, sem vínculo com o fundo partidário e muito inferior aos quase R$ 40 milhões gastos pelo PT.
As redes sociais desbancaram a televisão e o rádio. A grande mídia sucumbiu diante de vídeos improvisados. Manchetes bombásticas voltaram-se contra seus autores. Nas palavras do petista Mano Brown, o pleito foi vencido por quem soube ouvir o povo. Canalizaram-se os valores e as expectativas da maioria.
Para o bem do Brasil, é preciso cessar o fogo cruzado. Ocupações estudantis, invasões de terra, motins políticos, passeatas contra um governo que nem sequer começou e bombardeios virtuais apenas demonstram desrespeito pela vontade popular. Urge resgatar o espírito republicano encarnado por John McCain ao reconhecer a derrota nas urnas para Barack Obama: “Ele era meu adversário. Agora é meu presidente”.
Aristóteles sentenciou: somos animais políticos. Nossa natureza é o debate, a negociação, o equilíbrio entre ganhar e ceder. Não se pode reduzir quase 58 milhões de pessoas aos rótulos de fascistas, racistas, homofóbicas, etc. Os anseios do povo transcenderam as ofensas de campanha e tornaram o improvável, real, fato.
É hora de acreditar no Brasil e trabalhar pelo futuro. Essa é a grande diferença entre amar um partido ou uma nação. Gostem ou não, foi feita História. Adentramos por um caminho jamais percorrido. Caberá a nós construir o ponto de chegada.