Antônio Carlos de Medeiros*
Chegou o dia das eleições no Brasil. Para onde vamos? Esta é a eleição mais importante dos últimos 30 anos. Todos nós esperamos que ela venha a demarcar o início de uma nova era de tecitura de um novo contrato social no país. Um contrato que conduza a uma agenda de restauração do Estado brasileiro. Para buscar conexão entre o poder político e o espírito da sociedade. O espírito da época é, desde 2013, o das mudanças, das entregas de serviços públicos, das reformas e da reinclusão social. Votaremos nesta direção?
Neste contexto, o desafio colocado, no Espírito Santo, para o governador a ser eleito, é o de liderar a participação do Estado nesse processo nacional de restauração. Para isso, o novo governador vai precisar articular uma nova concertação social no Estado. Aglutinar uma nova aliança regional, para além do governo. Agregando vontades e forças sociais, econômicas, políticas e culturais em torno de um projeto de desenvolvimento regional – integrado ao desenvolvimento nacional e à globalização dos mercados e dos fluxos culturais e financeiros.
A busca de soluções vai requerer, mais do que antes, capacidade de articulação federativa, seja com os municípios, seja com o governo federal, seja com o Congresso Nacional
É um enorme desafio. Já na formação do governo, esta necessidade de construção de uma nova aliança regional vai precisar balizar as escolhas. Escolhas de Sofia. Pois que o novo governo vai ter que lidar com uma conjuntura muito complexa. Há um desequilíbrio estrutural na Previdência estadual. Deve permanecer baixo e incerto o crescimento econômico. Há um ambiente social de anomia e de sensação de insegurança. E são muitos os desafios nas políticas públicas de educação, saúde e infraestrutura. Tudo requer ampla legitimidade para ter capital político e capital social para atravessar o Rubicão. O horizonte é de turbulências.
A busca de soluções vai requerer, mais do que antes, capacidade de articulação federativa, seja com os municípios, seja com o governo federal, seja com o Congresso Nacional. O Tesouro estadual depende muito das transferências de recursos federais. E as políticas de educação, saúde, segurança e infraestrutura têm forte componente federativo. Será preciso hábil diplomacia federativa do governador e da bancada federal, em busca de novo pacto federativo.
Também, o novo governo vai precisar de novas alianças para o desenvolvimento econômico regional e para a atração de investimentos. Para superar as incertezas da economia do petróleo, o ES precisa ter um modelo tripartite de atração de investimentos, articulado com forças econômicas regionais: capital regional, capital nacional e capital internacional. O alvo é o equilíbrio entre a economia de commodities, com predominância de forças econômicas exógenas, e a economia da quarta revolução industrial, com maior presença de forças econômicas endógenas (regionais e nacionais). Em busca de agregação de valor, inovação e produtividade. Bom voto para todos nós.
*O autor é pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science