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Desinformação

O alerta máximo contra as fake news nunca foi tão evidente e necessário

A utilização de robôs para multiplicação de fake news nas redes sociais é conhecida, assim como as dificuldades em identificar a autoria das mensagens e os responsáveis pela divulgação

Publicado em 06 de Dezembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

06 dez 2019 às 04:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Imagem de fake news Crédito: Shutterstock
O que a deputada Joice Hasselmann disse em seu depoimento, na quarta-feira, na CPI das Fake News, não é novidade para ninguém: a utilização de robôs para multiplicação de fake news nas redes sociais é conhecida, assim como são conhecidas as dificuldades em identificar a autoria das mensagens e os responsáveis pela divulgação. Sabendo disso, a deputada procurou direcionar o foco do seu depoimento na comprovação de que, pelo menos com relação aos ataques que recebeu após romper relações com o presidente da República, os responsáveis pela divulgação das mensagens eram os filhos de Bolsonaro.
As fake news, assim como a sua disseminação através de robôs, têm sido intensamente utilizadas na área política, notadamente na época das campanhas eleitorais, por praticamente todos os partidos e candidatos. A Justiça Eleitoral se preocupa com os seus efeitos nos resultados eleitorais, tanto que tem promovido em todos os Estados o seminário “Democracia Digital-Eleições 2020”, como o realizado em Vitória em 31 de outubro.
Entrevistado pelo jornalista Leonel Ximenes, de A Gazeta, o presidente do TRE-ES, Annibal de Rezende Lima, afirmou que, em 2018, as fake news foram “uma novidade intolerável no processo eleitoral brasileiro”: o pleito “foi, sem dúvida, o mais complexo de toda a nossa história republicana [...] sobretudo pelo ânimo de candidatos e eleitores, em grande parte acirrado pelas [...] fake news”.
Annibal é otimista quando afirma “ter certeza de que, em prazo razoável, a Justiça Eleitoral estará apta a detectar e identificar a autoria de todo ou qualquer ato ou atitude tendente a tumultuar o processo eleitoral e fraudar o resultado das urnas” como, por exemplo, medidas “capazes de inibir, ou pelo menos minimizar, os efeitos das redes sociais”. Menos otimista é a representante da Agência Lupa, que se dedica a checar a veracidade das informações que são disseminadas nos meios de comunicação, inclusive os digitais. Para ela, “o WhatsApp é uma terra sem lei” e, nas últimas eleições, “das 50 imagens mais compartilhadas, apenas quatro eram verdadeiras”.
O uso de robôs na disseminação das mensagens nas redes sociais pode, segundo os especialistas, resultar em distribuição de dez milhões de fake news em uma fração de segundos. Isso, em uma campanha eleitoral, resulta em desequilíbrio de forças e uma luta desigual que ameaçam o estado democrático. Responsabilizar os culpados pela autoria e disseminação das fake news é, assim, um desafio que está posto para todos os que acreditam na democracia e desejam preservá-la como uma conquista da sociedade.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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