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Eleição

O mercado de olho no Brasil

O PSD-ES realiza amanhã, das 9h às 12h, na Câmara de Vitória, encontro preparatório para as eleições estaduais. Deve começar a definir as candidaturas, sobretudo a de Fonseca Junior

Publicado em 17 de Maio de 2018 às 22:09

Públicado em 

17 mai 2018 às 22:09
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Crédito: Amarildo
Investidores do mundo inteiro estão prestando especial atenção à eleição presidencial do Brasil. O resultado será determinante para as escolhas estratégicas dos maiores bancos e fundos de investimento. Prova disso é a série de relatórios intitulada “Contagem Regressiva para a Eleição no Brasil”, produzida mensalmente, desde abril, pelo grupo de estratégia de capitais do JP Morgan Brasil, liderado por Emy Shayo. A primeira edição é apresentada como “um guia para a disputa por vir, destacando as principais forças políticas, os prováveis candidatos, a dinâmica no Congresso e algumas das principais questões em jogo”.
O JP Morgan produz essa série desde 2001, e esta é a 5ª eleição brasileira monitorada de perto pelos analistas do banco. De cara, os autores do 1º relatório destacam a importância sui generis da eleição de 2018, tratada na introdução como “uma corrida única”. “Ao longo dos próximos seis meses traremos para vocês notícias e pontos de vista sobre a eleição brasileira, que é de longe a mais importante questão que definirá a economia e os mercados em 2018 e além.”
Para os estrategistas para América Latina e Brasil do banco norte-americano, o nível de incerteza relativo ao processo e ao resultado desta eleição é muito maior do que o das eleições passadas por causa de três acontecimentos observados nos últimos anos. São eles:
“1) Instabilidade política, iniciada com os protestos em massa de 2013, os quais reemergiram em um formato diferente durante as eleições de 2014 e culminaram com o impeachment da presidente Dilma em 2016; 2) a Operação Lava Jato, iniciada em 2014, revelou uma ampla rede de corrupção em todos os escalões do sistema político brasileiro. Acusações em torno do presidente Temer em maio de 2017 quase levaram à queda do seu governo e enterraram a muito esperada aprovação de uma profunda reforma previdenciária; 3) a maior recessão da história em 2015/2016, com o PIB contraído em 7% no período, levando a inflação e o desemprego a alcançarem níveis que o país não via desde o século passado.”
O relatório destaca uma mudança importante de perspectiva para estas eleições: a relativa perda de importância da economia como fator mais decisivo para a escolha dos eleitores. A situação econômica continuará sendo considerada na definição do voto, é claro, mas tende a ser suplantada por outras preocupações (com destaque à corrupção e à segurança), o que abre campo para a erupção de candidatos anti-establishment.
“Enquanto muito da macroeconomia tem melhorado, as pesquisas indicam que a economia não é prioridade máxima para os eleitores. Ainda assim, nossos economistas acreditam que um melhor ambiente macro efetivamente ajuda um candidato de centro. Em suma, juntando estas três diretrizes de contextualização, além de tendências observadas em eleições pelo mundo (Brexit, Trump etc.), não é difícil entender por que candidatos anti-establishment aparecem na frente nas pesquisas. Um recente estudo do Ibope/FGV indica que quase 60% da população quer votar em candidatos anti-establishment ou anular o voto.”
Para os analistas do JP Morgan, esta eleição presidencial no Brasil tem mais fatores em jogo para o mercado do que os últimos ciclos políticos do país. É o que afirmam a seus clientes: “Eleições gerais são sempre um fator decisivo para investimentos na maioria dos países, e no Brasil ainda mais. Mesmo assim, desta vez parece que há mais em jogo com relação às perspectivas do país do que nos últimos ciclos políticos”.
O que exatamente está em jogo sob a ótica dos representantes do mercado internacional? É o que veremos aqui em breve, detalhando ainda mais o “report”.
Triunfo da nulidade
De fato, na pesquisa do Ibope/FGV citada pelo JP Morgan, 29,8% responderam que pretendem votar para presidente em um candidato novo, de fora da política tradicional, enquanto 29,3% disseram que pretendem votar branco ou nulo.
Família, ê!
Na sessão da última terça-feira na Assembleia, o “defensor da família” Esmael Almeida (PSD) fez discurso de cinco minutos em homenagem ao Dia da Família. Um grupo de servidores apostou quantas vezes ele usaria a palavra “família”. Quem mais se aproximou chutou 21 vezes.
Família, ah!
Mas subestimaram Esmael. Em cinco minutos, ele disse “família” 23 vezes.
Família!!!
Falando nisso, quem não parece muito bem integrado à “família Casagrande” ultimamente é o vereador de Vitória Davi Esmael, filho de pai Esmaelzão. Apesar de ser do PSB, mesmo partido do ex-governador, Esmaelzinho não marcou presença em duas recentes atividades de pré-campanha de Casagrande na Capital: em São Pedro na semana passada e em Tabuazeiro na última segunda-feira.
MP de Contas tem pressa
No dia 27 de março, em consulta formulada pela Assembleia, o Pleno do Tribunal de Contas do Estado liberou o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) a receber o valor integral de salário e aposentadoria mesmo que a soma supere o teto legal. A decisão tem repercussão para todos os casos similares. O MP de Contas teria 60 dias para recorrer. Mas, como a burocracia da Assembleia já se prepara para pagar os retroativos a Enivaldo, o órgão corre para interpor recurso, com pedido de efeito suspensivo da decisão, de modo a evitar seus efeitos imediatos.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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