Letícia Gonçalves (Interina)
Enquanto o governador Paulo Hartung, que nem se colocou como pré-candidato à reeleição (ainda), roda o Estado inaugurando praças, alambrado e assinando ordens de serviço diversas, e o ex-governador Renato Casagrande percorre o interior freneticamente, fazendo paradas estratégicas em Câmaras municipais, a senadora Rose de Freitas – que também pretende disputar o Palácio Anchieta – tem atuação mais discreta.
Rose tem estado aqui e ali, sim, em agendas políticas que tangem a linha eleitoral. Na última segunda-feira, marcou presença na Serra do aliado Audifax Barcelos (prestigiou a assinatura de uma ordem de serviço para construção de creches com verba do governo federal) e hoje deve estar em Água Doce do Norte (entrega de ônibus e tratores).
Mas até possíveis futuros aliados notam que o ritmo da senadora está aquém dos demais. “Já estamos em 14 de junho (ontem) e quem quer ser candidato já tem que estar organizado. Fica até difícil conversar sobre alianças”, pontua um articulador de partido diverso do da senadora.
Num passado recente, a parlamentar e Hartung travaram uma “guerra de agendas”, até risível, pela maternidade/paternidade das obras do Aeroporto de Vitória, inauguradas no final de março, e pelos créditos quanto à liberação da licença de instalação do Porto Central.
Rose, claro, ainda tem um mandato em Brasília para tocar e mantém seus compromissos lá. Mas, passado o calor daqueles momentos, a senadora tem estado “silenciosa”.
Essa é a palavra que Gilson Daniel, prefeito de Viana e presidente estadual do Podemos, usa para descrever o perfil da correligionária. “A campanha para o Senado foi assim também, silenciosa, mas com estratégia. A forma da Rose fazer política é diferente da dos outros candidatos. Ela está andando, sim, conversa com todos os partidos que não têm candidatura majoritária, dialoga com o governo federal e com prefeitos frequentemente. Só não faz uma exposição tão grande quanto os outros”, resume Gilson Daniel.
“Na campanha para o Senado foi a mesma coisa. As pessoas falavam que Coser e Neucimar estavam na rua e ela, não. E ela ganhou”, lembra.
Pode ser, mas não se pode esquecer o fator Renato Casagrande. O socialista e Rose estavam numa dobradinha dentro do “projeto alternativo”, um eufemismo para oposição, ao Palácio Anchieta. No mesmo dia em que Casagrande lançou sua pré-candidatura ao governo, em 26 de março, Rose e ele apareceram lado a lado, mais tarde, em um evento em Cariacica. E o presidente estadual do PSB, Luiz Carlos Ciciliotti, é só elogios à possível adversária na corrida eleitoral. “Nossa relação com a Rose e com o Gilson (Daniel) é boa”, defende. Quanto ao ritmo empregado pela senadora na campanha, o próprio Ciciliotti contemporiza: “É o estilo dela. Ela sempre foi de mostrar trabalho institucional e trazer recursos para os municípios”. Quanto a uma possível aliança entre Podemos e PSB, já no primeiro turno, Ciciliotti desconversa: “Não falamos sobre isso”.
Não se coloca em dúvida a pré-candidatura da senadora, mas o próprio Gilson Daniel faz questão de frisar: “Ela é candidatíssima. Não tem qualquer argumento de tirar a candidatura dela. Está com muita energia para disputar a eleição”.
Aposta
É pule de dez que a primeira suplente Cláudia Lemos, hoje no PRB, assuma a vaga do deputado estadual Almir Vieira, cassado pela Justiça Eleitoral. A visão da Assembleia, de acordo com fontes da Casa, é que não cabe ao Legislativo discutir a questão alegada pelo PRP, que defende a posse do nono suplente, José Sopriano Merçon, de Alegre, porque os oito primeiros suplentes trocaram de partido.
Parceria à vista?
O deputado estadual Amaro Neto, pré-candidato ao Senado, reuniu-se com o senador Ricardo Ferraço, pré-candidato à reeleição, em Brasília, na última terça-feira. A conversa, de acordo com Amaro, durou cerca de duas horas. “Iniciamos uma conversa de grupo, já que somos próximos ao Palácio (Anchieta). Se vamos caminhar juntos ou não, lá na frente a gente vai ver”, afirma o deputado. O secretário de Estado da Casa Civil, Roberto Carneiro, presidente licenciado do PRB estadual, também estava presente.
Magno no circuito
Ricardo Ferraço, até recentemente, andava para baixo e para cima com o senador Magno Malta, sinalizando outra possível dobradinha. “Não sei até que ponto isso permanece, mas devo conversar em breve também com o Magno. Respeito todos os candidatos”, complementa Amaro.
Treino é treino
Ferraço garante que sua relação com Magno “permanece ótima”. “A conversa com o Amaro foi muito cortês. Foi um encontro casual, no aeroporto. Eu chamei o Amaro e o Roberto para tomar um café no meu gabinete. Mas, em tempos de Copa do Mundo, treino é treino e jogo e jogo”, lembra o tucano.