Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Os recados que ficam com os leilões de petróleo
Impactos no ES

Os recados que ficam com os leilões de petróleo

De que forma a oferta de áreas do pré-sal pode ajudar e prejudicar o Estado

Publicado em 09 de Novembro de 2019 às 05:00

Públicado em 

09 nov 2019 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Plataforma P-66 opera no pré-sal da Bacia de Santos Crédito: André Motta de Souza/Petrobras - 31/05/2019
Nesta semana, dois importantes leilões de petróleo - o megaleilão do excedente da cessão onerosa e a 6ª Rodada de Partilha, ambos com áreas do pré-sal - foram realizados pela União e, embora nenhum deles tenha contemplado campos petrolíferos no Espírito Santo, eles exercem impactos para o Estado. Aqui vou listar quatro pontos que considero importantes para estarem no radar.
1) Os leilões apresentaram resultados abaixo dos esperados pelo governo federal e pelo próprio setor. Tanto sob a ótica do volume de arrecadação quanto da participação de companhias estrangeiras houve frustração. A decepção só não foi maior porque a Petrobras arrematou áreas. Da arrecadação total de R$ 69,96 bilhões, R$ 62,7 bi virão da petrolífera.
Esse fato revela que as condições do certame foram pouco atrativas para outros players e que a Petrobras vai ter que desembolsar altas cifras com investimentos. Este é, inclusive, um ponto sensível para uma empresa que vem nos últimos anos trabalhando para reduzir o seu elevado endividamento, na casa dos US$ 100 bilhões (dívida bruta).
Na avaliação de fontes ouvidas pela coluna, a petroleira vai precisar acelerar planos de desinvestimentos - com a venda de ativos - e pode ser que ela venha a revisar seu Plano de Negócios e Gestão (PNG), adiando ou mesmo cancelando projetos menos rentáveis.
A revisão e a atualização do planejamento é algo natural em qualquer companhia, mas é inevitável que um sinal de alerta seja aceso para o Estado, afinal está prevista, de acordo com o PNG 2019-2023, a instalação de uma plataforma no Litoral Sul capixaba em 2022. Como a implantação dessa unidade já foi postergada em outros momentos, o receio é que isso volte a acontecer. Assim, adiar a operação da plataforma é adiar também oportunidades de negócios, empregos e arrecadação.
2) Outro fator que atinge em cheio o Espírito Santo é o volume menor de recursos que o governo do Estado e as prefeituras vão receber fruto da divisão prometida pelo governo federal. Ao invés dos R$ 532 milhões, chegarão aos caixas capixabas R$ 258 milhões, sendo R$ 160,7 milhões para o Estado e R$ 97,7 milhões para os municípios. A decepção com a arrecadação foi unânime. Mas há também que se ponderar que esses entes estão saindo no lucro. É um dinheiro extra que no início de 2019 não estava previsto para cair na conta de nenhuma das administrações públicas.
3) Outro destaque que trago é sobre os bastidores do pagamento. Ainda não há uma data concreta de quando as prefeituras e os Estados vão receber parte do dinheiro arrecadado com o megaleilão do pré-sal. De um lado, muitos prefeitos e governadores fazem coro pedindo que a receita chegue aos cofres públicos ainda em 2019, mas a União não estaria, segundo uma fonte, nem um pouco interessada em fazer o repasse neste ano.
De acordo com um técnico da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), é mais provável que o repasse dos recursos só seja efetivado no início de 2020. O motivo para deixar para o ano que vem é que o governo estaria contando com os cerca de R$ 10 bilhões que cabem aos Estados e municípios para incrementar temporariamente o próprio caixa.
“A pseudo dificuldade que está sendo colocada é para melhorar os indicadores do governo federal. A União quer manter os R$ 10 bilhões em caixa para ajudar no cumprimento do resultado primário”, contou a fonte, lembrando que trata-se de uma espécie de pedalada fiscal, motivo que justificou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
4) Por mais que o tom que prevaleceu sobre os leilões durante esta semana tenha sido negativo, é preciso reconhecer que a oferta das áreas retoma um ciclo importante no país de investimentos e desenvolvimento do setor. O governo federal firmou um compromisso de ter uma agenda regular de leilões e isso vai permitir que novas plataformas sejam construídas, profissionais sejam contratados, aumente a demanda pelo fornecimento de bens e serviços e que o país arrecade mais com impostos e royalties. Nesse cenário, o Espírito Santo também terá grande importância. É aqui que está o estaleiro mais moderno do país atualmente.
Com a exploração de novos campos, encomendas podem surgir para o Estaleiro Jurong Aracruz. Fora que várias das nossas empresas, de setores como o metalmecânico, já se destacam na indústria de óleo e gás. Portanto, nos próximos anos podem jorrar oportunidades no Estado, ainda que as áreas leiloadas estejam a quilômetros de distância.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Aniversário de 80 anos de Nelson Ferlin
Nelson Ferlin celebra 80 anos com festa em família em Vila Velha
Unidade da Audionova inaugurada em 2024 em São Paulo
Multinacional suíça anuncia compra de empresa capixaba
Imagem de destaque
Os próximos passos do terminal de contêineres HGT Aracruz, no Porto da Imetame

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados