No governo militar, ao término do projeto nacional desenvolvimentista operacionalizado na gestão Geisel, o país curvou-se a uma agenda conservadora exigida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Disso resultou a desaceleração de projetos voltados para a industrialização substituidora de importações e diversificadora de exportações.
Desaceleração que provocou perda de oportunidades para a construção de um outro patamar para a economia brasileira. Resultou também no fechamento de postos de trabalho principalmente aqueles que demandavam mais qualificação técnica. À época, surgiu a figura do engenheiro que virou suco, nome dado a uma lanchonete em plena Avenida Paulista.
Qual o rumo que se quer para o Brasil é a tarefa a ser encarada na hora do voto. Diante das urnas é preciso refletir e optar, de um lado, pelo retrocesso na construção de um país que valorize a diversidade social e econômica
Com o país em fase de redemocratização, o período de execução de privatizações açodadas implicou em perdas consideráveis para a engenharia nacional. Privatizada, por exemplo, a Telebras e seu braço de pesquisas tecnológicas – o CPqD – engenheiros com alta qualificação perderam empregos, já que às empresas internacionais interessava mais importar tecnologia. Engenheiros qualificados se transformaram em vendedores de equipamentos e de telefones celulares.
Recentemente, o golpe de 2016 colocou em prática uma política recessiva e com preocupação maior de responder a interesses da financeirização mundializada. O resultado é que cresce o número de engenheiros que trabalha no Uber como forma de se sustentar financeiramente.
Lamentavelmente, as perdas de oportunidades de emprego e geração de renda atingiu a uma gama de profissões e atividades mais amplas do que as engenharias. Nada contra quem faz suco, vende equipamentos, celulares ou presta serviços no transporte de passageiros. Apenas vale lembrar que para muito além das frustrações pessoais é preciso considerar perdas sociais com a subutilização de competências e talentos.
Competências e talentos que precisam ser valorizados na construção de agenda pró-crescimento econômico e inclusão social. Valorização buscada no apoio à reciclagem profissional; na educação continuada para ampliar as possibilidades de trabalho; e no financiamento de atividades que possam gerar emprego, renda e melhor distribuição do progresso econômico.
Qual o rumo que se quer para o Brasil é a tarefa a ser encarada na hora do voto. Diante das urnas é preciso refletir e optar, de um lado, pelo retrocesso na construção de um país que valorize a diversidade social e econômica. E de outro, por avanços no sentido do progresso inclusivo neste Brasil que queremos para todos.