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Comércio exterior

Portugal quer aumentar a exportação de vinhos para o Brasil

Se o clima ajudar e a produção aumentar, Portugal terá que investir muito na relação com o Brasil, para demonstrar todo seu potencial vinícola e, então, quem sabe, tornar seus rótulos usuais nas mesas dos brasileiros

Publicado em 21 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

21 jan 2020 às 04:00
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães

fernandomanhaes@prix.com.br

Garrafas de vinho Crédito: Reprodução Shutterstock
O comércio entre Brasil e Portugal vem de longa data. Entretanto, essa troca poderia ser bem mais expressiva se alguns fatores fossem resolvidos como, por exemplo, a questão da carga tributária na exportação, notadamente, dos vinhos portugueses para o Brasil. Um acordo entre a União Europeia e o Mercosul poderá mudar essa relação comercial.
Quando nós brasileiros estamos em Portugal, é muito comum ficarmos espantados com os baixos preços, a variedade e a qualidade dos vinhos que encontramos nas prateleiras dos supermercados e casas especializadas locais. Em 2018, os portugueses exportaram mais 18 milhões de litros de vinho para o mercado brasileiro.
Só para se ter uma ideia, a exportação de vinhos portugueses ficou atrás apenas da dos chilenos, que exportaram 51 milhões de litros de vinhos e espumantes. É uma diferença e tanto, mas pela qualidade dos seus vinhos, bem que Portugal teria chances competitivas frente ao Chile, só que outras questões implicam nesse resultado.
Questões essas que têm a ver com a carga tributária desigual sobre o valor da mercadoria. Um acordo comercial entre os dois blocos e a unificação de impostos dariam maior competitividade ao vinho português. A outra questão é cultural. Com todos os méritos, foram os chilenos que mudaram a forma do brasileiro beber vinho.
No passado, o mercado brasileiro era formado apenas por vinhos brasileiros de baixa qualidade. E dos poucos importados, quem não se lembra dos vinhos portugueses Mateus e o Casal Garcia? Num trabalho bem feito e de qualidade, os chilenos colhem os frutos de mais de três décadas de investimentos em eventos, degustações, marketing e operações comerciais.
O mercado brasileiro tem crescido bastante, apesar das dificuldades econômicas. Ele tem grande potencial para crescer ainda mais. Com uma produção de 670 milhões de litros ano, Portugal é o décimo primeiro no ranking dos maiores produtores mundiais de vinho, segundo a OIV (organização internacional da vinha e do vinho). Se o clima ajudar e a produção aumentar, Portugal terá que investir muito nessa relação, para demonstrar todo seu potencial vinícola e, então, quem sabe, tornar seus rótulos usuais nas mesas dos brasileiros.

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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