Proporcionalmente, o tamanho adquirido pelo PPS no Espírito Santo supera a dimensão que o partido possui no cenário nacional. Em âmbito federal, o PPS é sigla de pequeno porte. De acordo com o próprio site, a legenda tem apenas 10 deputados federais, contando Raul Jungmann (PE), recém-nomeado ministro da Segurança Pública. No Senado, a bancada se resume a dois representantes.
Já na política estadual, o PPS passou a figurar no rol de forças mais relevantes e mais decisivas do mapa eleitoral. Isso, basicamente, em razão das sucessivas vitórias de dois líderes locais nas urnas: Luciano Rezende e Juninho, eleitos em 2012 e reeleitos em 2016, respectivamente, para administrar Vitória e Cariacica.
O problema é que há uma ilusão de ótica. O fato de comandar a Capital (a segunda maior vitrine administrativa do Espírito Santo) e outra grande cidade da Região Metropolitana pode dar a impressão de que o PPS é maior do que é de fato no Estado. Mas basta olhar ao redor para se perceber que o espaço do partido não vai muito além disso. Hoje, o PPS não possui nenhum representante na bancada federal capixaba. Pior: entre 30 deputados estaduais, não tem um representante sequer na Assembleia Legislativa (e olha que 17 siglas, algumas bem nanicas, estão representadas na Casa).
Em 2018, no entanto, o PPS-ES prepara o pulo do gato. O partido que já ganhou espaço respeitável e importância no Espírito Santo tem a perspectiva de crescer ainda mais, principalmente nas eleições parlamentares.
Querendo eleger pelo menos um deputado federal, mas com a perspectiva de chegar a dois, o PPS prepara uma chapa forte, que já tinha o vereador de Vitória Leonil e a secretária de Desenvolvimento da Cidade de Vitória, Lenise Loureiro, e acaba de ganhar reforços do ex-prefeito da Capital, Luiz Paulo, e do deputado estadual Josias da Vitória, que assinarão ficha de filiação na próxima terça-feira.
Já para o Senado, o partido tem conversa bem avançada com o secretário-geral da ONG Transparência Capixaba, Edmar Camata, e também tenta atrair o deputado estadual Sergio Majeski (PSDB). Já a chapa de deputados estaduais tem, entre outros, o vereador de Vila Velha Ricardo Chiabai e o secretário de Esportes de Vitória Wallace Valente, podendo ainda ser reforçada pelo secretário de Gestão de Vitória, Fabrício Gandini, ou pelo presidente da Câmara da Capital, Vinícius Simões (ou um ou outro, a depender da decisão e Gandini).
O deputado federal Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS, confirma e celebra a boa fase no Espírito Santo. “Não precisa dizer mais nada. Estamos falando de uma das forças mais protagonistas da política capixaba. A perspectiva já era boa. O partido já iria, sem dúvida, eleger deputados. E agora com ainda mais presença, com a vinda de Luiz Paulo e Da Vitória. E ainda com outras perspectivas, a partir daquele movimento que fizemos com o Agora! e com o (Luciano) Huck”, afirma Freire.
“Estamos conversando bem em outros Estados, mas aí no Espírito Santo o crescimento já se concretizou. Eu diria que é o Estado onde houve maior avanço em termos de adesão de grandes lideranças”, comemora o dirigente nacional, que confirma presença ao evento de filiação de Luiz Paulo e Da Vitória na próxima terça.
Roberto Freire deve se encontrar, na terça-feira (6), com Luciano Rezende e Renato Casagrande (PSB). Devem tratar da candidatura (ou não) do aliado socialista ao governo estadual.
PPS e movimentos
Apesar da desistência de Luciano Huck em lançar candidatura à Presidência da República, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, observa a atração de novos quadros também como consequência do bom momento nacional do partido, que tem firmado parcerias com movimentos políticos nascidos da sociedade civil como o Livres e o Agora! (este tendo em Huck o principal garoto-propaganda).
Repercussão
“A carta de compromissos que assinamos com o Agora! em Brasília teve uma boa repercussão no país inteiro. Isso deve ter repercutido aí também. Mesmo que esses movimentos não tenham crescido tanto no Espírito Santo, não tenha dúvida que tem setores aí da sociedade capixaba que estão tentando ver como participar. E agora temos o acréscimo de duas grandes lideranças que já participam da política há algum tempo (Luiz Paulo e Da Vitória). Talvez o maior crescimento do PPS nesse processo seja no Espírito Santo.”
Alta infidelidade
Apesar da euforia do momento e da perspectiva de expansão, os dirigentes locais do PPS devem estar atentos a duas observações. A primeira é a necessidade de zelar pelos critérios de filiação. Na verdade, o PPS elegeu, sim, dois deputados estaduais em 2014: Sandro Locutor e Amaro Neto, ambos então ligados a Juninho. Mas os dois mostraram-se pouco fiéis ao partido e trocaram de sigla no meio do mandato (Amaro mais de uma vez e para enfrentar o próprio Luciano Rezende nas urnas em Vitória, em 2016).
Lua de mel passageira
A segunda observação é que um partido inchado de caciques regionais não costuma viver em perfeita harmonia por muito tempo.