(Vinícius Valfré - interino)
Às vésperas de eleições altamente complexas e polarizadas, as fake news se tornaram um fantasma. Há uma ameaça na praça virtual com impactos imprevisíveis, um medo de que a experiência dos Estados Unidos seja adaptada para o Brasil e faça com que os eleitores escolham o próximo presidente a partir de mentiras estrategicamente disseminadas. O problema, porém, está mais nos discursos distorcidos do que nos textos maliciosos.
Na campanha eleitoral de 2016 nos EUA, 27% leram pelo menos uma notícia falsa em algum dos 289 sites dedicados à confecção delas. Por outro lado, 25% acessaram ao menos uma vez algum serviço de checagem de fatos. Não há, contudo, interseção entre os dois grupos. Não passou de zero o percentual daqueles que consumiram fake news e checagem sobre o mesmo assunto.
Os dados são do cientista político Jason Reifler, da Universidade de Exeter, na Inglaterra, que esteve em São Paulo na semana passada para o congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Estudioso do tema, Reifler apresentou uma conclusão tranquilizante:
“Achar que fake news vão mudar o voto do eleitor parece um pouco forçado. Há pouca evidência de que elas tenham transformado votos em 2016”, afirmou o professor. Ele observa que esse tipo de “notícia” serve sobretudo para reforçar convicções que o leitor já carrega. E é quase impossível medir outras variáveis, como se elas são capazes ou não de tornar ideias extremas mais palatáveis.
As notícias falsas, então, são apenas fumaça e preocupação exagerada? Não é bem assim. Fake news – conteúdos falsos que se apropriam de construções do jornalismo profissional – não são a única sujeira neste universo. Inclusive, estudiosos estão desincentivando o uso do termo porque políticos pouco democráticos passaram a utilizá-lo para atacar a imprensa livre que os denuncia.
“Desinformação” é o conceito que melhor descreve essa novidade dos nossos tempos. Abrange não apenas artigos falsos, mas montagens, discursos e vídeos manipulados, falta de contexto e mecanismos para “caçar cliques”. É praticada tanto por sites parciais quanto por candidatos.
“A desinformação, mais do que um artigo publicado com informações falsas, é um problema bem maior, coisa que me assusta. Precisamos nos preocupar com coisas falsas que os políticos dizem. Eliminar discursos políticos baseados na desinformação é uma coisa poderosa para uma sociedade”, afirmou Reifler.
A mistura de nossas crises sobrepostas com desinformação pode ser explosiva.
Convocação ou convite?
Nas vésperas do jogo contra o México, servidores da Sedurb também viveram um momento “convocação”. Funcionários da pasta receberam mensagem
interessante. O texto lembrava que ontem seria ponto facultativo, mas que o governador Paulo Hartung faria uma visita de cortesia à nova sede da secretaria, em Vila Velha.
A motivação
“O governador Paulo Hartung confirmou uma visita à nova sede da Sedurb, às 7h30. Sendo assim, solicitamos a todos os servidores que estejam presentes em seus postos de trabalho às 7h para recebermos o governador. A expectativa é que ele permaneça no local até por volta das 9h”, dizia trecho da mensagem.
A explicação
O chefe da Sedurb, Marcelo Oliveira, afirma que a ideia de receber Hartung na nova sede partiu dele e dos próprios servidores, que se sentiriam prestigiados. Oliveira garantiu que a solicitação de presença não era uma obrigação e que não haverá represálias aos faltosos. “De forma nenhuma eu agiria para coagir alguém. Não é assim que a gente trabalha, não é a nossa prática”, disse.
Acharam errado
“Fizemos para as pessoas que quisessem estar presentes. Não obrigamos que as pessoas fossem, tanto que muitas não foram. E para a gente não tem problema nenhum. O ponto facultativo é uma opção que o servidor tem de trabalhar ou não. Além disso, há o decreto do governador do ponto facultativo. Não podem achar que mensagem enviada pela comunicação da Sedurb tem mais valor que o decreto”, acrescentou o secretário.