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Vitor Vogas

PSB capixaba no divã

Confira a coluna deste sábado (17)

Publicado em 16 de Novembro de 2018 às 20:59

Públicado em 

16 nov 2018 às 20:59
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Praça Oito: PSB capixaba no divã Crédito: Amarildo
A direção nacional do PSB já bateu o martelo: no Congresso, fará oposição ao governo Bolsonaro.
Mas os dois deputados federais eleitos pelo PSB do Espírito Santo não têm, a princípio, disposição para acompanhar a resolução do partido.
O jovem Felipe Rigoni já declarou que será independente, votando a favor do que for bom para o país.
Já Paulo Foletto há algum tempo vem dissonando das posições fechadas nacionalmente pela própria sigla, em votações importantes no Congresso. Durante a da reforma trabalhista de Temer, a direção do PSB orientou os deputados da bancada a votarem contra o projeto. Foletto, porém, votou a favor, assim como 16 dos então 34 deputados do partido – o que, por sinal, gerou certa crise no PSB entre direção nacional e bancada, além de algumas dissidências. Há algum tempo, Foletto tem expressado posições menos à esquerda dentro do PSB.
No caso do governo Bolsonaro, o deputado – que acaba de se eleger para o terceiro mandato sucessivo na Câmara – não tem a menor intenção de compor um bloco de oposição sistemática no campo de centro-esquerda.
“Não pretendo entrar em um bloco de oposição. O Brasil está numa barca furada danada. Está quebrado e mal administrado. Se eu tiver um presidente que vier com medidas saneadoras, vou poder ficar contra? As primeiras medidas dele não são nada ruins. Quem leva Sérgio Moro para o Ministério da Justiça não pode ter ladrão no ministério. A equipe econômica tem bons nomes. Paulo Guedes é um economista inteligente, pode trabalhar em qualquer instituição do mundo. Joaquim Levy no BNDES é uma bela escolha. A reforma da Previdência, até o PSB sabe que tem que fazer. Como pode ficar contra o governo de cara?”
Para Foletto, enfim, os primeiros sinais são positivos, e o PSB está se açodando. “Tem que esperar o governo começar. Dizer que é oposição antes do início do governo é idiotice, é loucura. É coisa do passado. Eu não entro nessa não.”
Já na Assembleia Legislativa, o PSB reelegeu dois dos três deputados que possui atualmente: Majeski, o campeão de votos, e Bruno Lamas. O terceiro deles, Freitas, não se reelegeu, mas ficou como primeiro suplente da coligação. Nos bastidores da transição, comenta-se que Renato Casagrande (PSB) poderia fazer um esforço para garantir que Freitas assuma uma cadeira já no início da próxima legislatura. Para isso, teria que puxar para o governo, em qualquer cargo de livre nomeação, algum deputado estadual eleito pela coligação do PSB com o DC.
Por que Freitas? Pode soar inusitado pois, realçando a “crise de identidade” do PSB capixaba, o deputado de São Mateus apoiou veladamente a eleição de Bolsonaro e, durante a campanha, chegou a defender a ditadura militar em discursos na Assembleia. Em entrevista à coluna foi além: disse que, para ele (assim como para o presidente eleito), nem sequer existiu ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985, brigando assim com a história do próprio PSB, partido que combateu a ditadura e foi cassado por ela em 1966.
CENA POLÍTICA
O governador eleito Renato Casagrande estava cheio de graça no anúncio de quatro membros do seu alto escalão, na última terça. Primeiro, ao terminar de apresentar o currículo do seu secretário de Segurança, Roberto Sá, começou a rir de si mesmo: “Tô até preocupado com o que estou falando aqui, porque ele conhece tanto...” Depois, ao sustentar que sua equipe vai mesclar experiência com inovação, soltou esta: “Misturar experiência, pessoas de mais idade [e apontou com a cabeça para seu futuro secretário de Planejamento, Álvaro Duboc], com pessoas mais jovens, como eu e Jacqueline [e se aproximou da vice-governadora, ao seu lado na mesa]”.
Freitas, fiel a Casagrande
Apesar da incompatibilidade ideológica com o próprio partido, Freitas é visto dentro do PSB como um deputado fiel a Casagrande – e menos instável do que Majeski, que já andou externando certo descontentamento com a direção do PSB, e Bruno Lamas, que apresentou pautas-bomba para o próximo governo, como o projeto que detonava a arrecadação de ICMS sobre as contas de luz. Freitas, por sua vez, provou-se útil a Casagrande no dia a dia da política, para além de questões macroideológicas. Ou seja, nos embates locais travados na Assembleia. Sobretudo nos meses que antecederam a campanha, ele foi crítico constante ao governo Paulo Hartung.
Ao PSB, nem tanto
Em 22 de outubro – última segunda-feira antes do 2º turno –, Freitas afirmou da tribuna: “Esta semana está sugerindo para a ordem e o progresso. E, para que a gente possa ter ordem, talvez seja necessário que se fique quieto”.
Complexo de rejeição
Na coletiva de imprensa em que Casagrande apresentou seus secretários de Segurança, Educação, Governo e o procurador-geral do Estado, a primeira metade da entrevista se concentrou em perguntas dirigidas ao primeiro, Roberto Sá. O governador eleito precisou intervir e perguntou aos repórteres se não gostariam de fazer questionamentos também aos demais. “Senão nós vamos ter um problema de complexo de rejeição.”
Escalado para a Secretaria de Governo, Tyago Hoffmann (PSB) optou pela autoironia, na linha realista do “aceito que dói menos”: “Quando vi que me colocaram com o de Segurança, eu já esperava [ser ofuscado]...”

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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