O câncer infantil é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil, segundo o Inca. No Brasil, estimam-se 7.930 novos casos por ano até 2025.
No entanto, o diagnóstico precoce possibilita cura em 80% dos casos, devido ao início rápido do tratamento e ao menor impacto no organismo da criança.
Por isso, é importante que pais, responsáveis e profissionais de saúde estejam atentos aos sinais de alerta, pois alguns sintomas podem ser confundidos com os de doenças comuns na infância.
A oncologista pediátrica Ana Paula Kuczynski, do Hospital Pequeno Príncipe, diz que existem muitas diferenças entre o câncer adulto e pediátrico, principalmente nos tipos de câncer que ocorrem. "Por exemplo, o câncer de mama, que é muito comum em mulheres adultas, é extremamente raro em crianças. O mesmo vale para o câncer de pulmão, que nos adultos está frequentemente relacionado ao tabagismo, mas é praticamente inexistente em crianças. O câncer de pele, embora comum em adultos, também é raro na infância, com pouquíssimos casos registrados. Por outro lado, os tipos de câncer mais frequentes em crianças, como leucemias e tumores no sistema nervoso central, são bem diferentes dos que predominam na população adulta".
O tratamento varia conforme o tipo de câncer. O avanço na identificação de mutações e na criação de terapias personalizadas tem ampliado as possibilidades de cuidado e aumentado as chances de cura para crianças com câncer.
No caso das leucemias, que são os tipos mais comuns entre as crianças, o tratamento-base é a quimioterapia. "No entanto, alguns subtipos apresentam alterações genéticas específicas, e nesses casos, além da quimioterapia, é utilizada a terapia-alvo", diz a médica.
Para tumores sólidos, como cerebrais ou abdominais, a maioria das crianças precisa de cirurgia. "Muitas vezes, é combinada com quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia. Nos últimos anos, a terapia-alvo também passou a ser utilizada em tumores sólidos, principalmente quando a criança apresenta mutações genéticas específicas".
Além disso, dependendo do diagnóstico, algumas crianças podem necessitar de transplante de medula óssea. Isso é especialmente relevante em casos de leucemias mais graves ou aquelas que apresentam recaídas após uma resposta inicial à quimioterapia.