O climatério é o período de transição biológica que marca a passagem da fase reprodutiva (período fértil) para a não reprodutiva da mulher. Ele envolve mudanças hormonais progressivas, como a queda de estrogênio e progesterona, que começam anos antes da menopausa e podem se estender após ela.
O climatério geralmente ocorre entre os 40 e 65 anos, mas a idade de início pode variar de acordo com fatores como hábitos de vida, condições genéticas e saúde individual.
Muitas vezes, o climatério é confundido com a menopausa. No entanto, como explica a ginecologista e obstetra Karina Bourguignon, o climatério é mais amplo. “Ele inclui a pré-menopausa, a menopausa e a pós-menopausa. Já a menopausa é apenas um marco: a última menstruação espontânea da mulher, confirmada após 12 meses sem menstruar”, detalha a médica.
Os sintomas variam, porém os mais comuns incluem:
- Ciclos menstruais irregulares (antes da menopausa)
- Ondas de calor e suores noturnos
- Distúrbios do sono
- Alterações de humor (irritabilidade, ansiedade, depressão)
- Ressecamento vaginal e dor durante a relação sexual
- Queda da libido
- Alterações na pele, unhas e cabelos
- Ganho de peso e acúmulo de gordura abdominal
- Maior risco de osteoporose e doenças cardiovasculares
De acordo com a ginecologista e obstetra Marina Miguel de Carvalho, mesmo nesse período ainda há possibilidade de engravidar. “Enquanto a mulher estiver no climatério, mas não tiver chegado à menopausa, existe chance de gestação. Por isso, é importante orientação médica para prevenir a gestação, caso não seja o desejo da mulher no momento”, explica.
Entender as mudanças do corpo e manter o acompanhamento médico faz toda a diferença para preservar a qualidade de vida. A ginecologista Valeska Miguel de Carvalho indica alguns exames e acompanhamentos importantes nesta fase:
- Colpocitologia oncótica (preventivo)
- Mamografia
- Ultrassom endovaginal
- Exames laboratoriais (glicose, colesterol, tireoide, vitaminas)
- Colonoscopia
- Densitometria óssea
O tratamento para o climatério é individualizado e depende dos sintomas que a mulher apresenta, da intensidade deles e das suas necessidades específicas. Ele pode incluir abordagens hormonais, não hormonais e mudanças no estilo de vida. A decisão sobre a melhor estratégia deve ser tomada em conjunto com um médico ginecologista. É fundamental contar com uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir nutricionista, educador físico, psicólogo, cardiologista e endocrinologista.
Dicas práticas para lidar melhor com o climatério
Além do acompanhamento médico, alguns hábitos no dia a dia ajudam a atravessar essa fase de forma mais saudável.
01
Adote um estilo de vida saudável
Invista em exercícios físicos regulares, como caminhada, musculação ou pilates, que ajudam no controle do peso, fortalecem ossos e músculos, melhoram o humor e a saúde cardiovascular. Na alimentação, priorize fibras, cálcio, magnésio, vitamina E e gorduras boas (como ômega-3), reduzindo ultraprocessados e excesso de açúcar.
02
Cuide da saúde mental e do bem-estar
Oscilações de humor, ansiedade e sintomas depressivos são comuns. Ter apoio psicológico, grupos de convivência, escolher alguns hobbies, além de terapias complementares como meditação, acupuntura ou psicoterapia, podem trazer equilíbrio.
03
Mantenha uma rotina de sono
O recomendado é criar hábitos regulares, evitar eletrônicos antes de dormir e reduzir a cafeína ajudam a melhorar a qualidade do sono.
04
Busque apoio médico para tratamentos individualizados
A terapia hormonal, a reposição de vitaminas e suplementos devem ser avaliados caso a caso, sempre com acompanhamento profissional.
05
Encare o climatério como um novo começo
Essa fase pode ser desafiadora, mas também traz oportunidades de autocuidado e novas possibilidades. As especialistas reforçam que o “climatério não é o fim, pode ser o começo da sua melhor versão”.
Este conteúdo é uma produção do 28º Curso de Residência em Jornalismo. A reportagem teve orientação e edição do editor Guilherme Sillva.