A doação de sangue é um ato simples, rápido e que pode salvar vidas. Ainda assim, os bancos de sangue em todo o país enfrentam períodos críticos de desabastecimento, especialmente durante o inverno, quando há uma queda expressiva nas doações.
Para mobilizar a população e reforçar o compromisso social com a saúde coletiva, foi criado o Junho Vermelho. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, apenas 1,4% da população brasileira doa sangue regularmente — um índice abaixo dos 2% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O impacto dessa baixa adesão é direto no atendimento de pacientes em tratamentos oncológicos, vítimas de acidentes, pessoas com doenças hematológicas e mulheres em trabalho de parto, que muitas vezes precisam de transfusões imediatas para sobreviver.
“Cada bolsa de sangue pode beneficiar até quatro pessoas. A doação é essencial para garantir o suporte transfusional em diversas situações clínicas, e manter os estoques regulares é uma responsabilidade coletiva”, explica o hematologista Sergio Fortier, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
Estão aptas a doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos, que pesem mais de 50 quilos. Antes da doação, é fundamental que a pessoa tenha realizado uma refeição leve nas últimas três horas e evitado o consumo de álcool 12 horas antes. “O sangue é insubstituível em situações como cirurgias de grande porte, traumas graves ou no tratamento de doenças como a hemofilia”, explica Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Dúvidas sobre tatuagens, peso corporal, uso de medicamentos e histórico de doenças são comuns, mas há critérios claros estabelecidos pelo Ministério da Saúde para quem deseja contribuir com esse gesto de solidariedade.
O processo é seguro, dura cerca de 40 minutos e segue rigorosos protocolos de higiene e triagem. O sangue doado passa por testes laboratoriais antes de ser utilizado, garantindo total segurança tanto para o doador quanto para o receptor.
A segurança da doação vai além da triagem clínica: cada bolsa de sangue passa por uma série de análises laboratoriais criteriosas, conforme determina a legislação brasileira. Durante a coleta, além da bolsa de sangue, são retiradas amostras em tubos para identificar a presença de doenças infecciosas que poderiam ser transmitidas por transfusão. Essas amostras são testadas para Hepatite B, Hepatite C, HIV, Sífilis, Doença de Chagas e HTLV, utilizando métodos como sorologia e PCR, garantindo mais precisão na identificação de infecções, inclusive em estágios iniciais.
Hoje, bancos de sangue e hemocentros contam com equipamentos analíticos e softwares inteligentes, que garantem que todo o processo ocorra com máxima segurança e rastreabilidade. Softwares de gestão também podem gerar relatórios e gráficos, que auxiliam os bancos de sangue e hemocentros na gestão de recursos, análise de dados epidemiológicos e planejamento de campanhas de incentivo à doação em épocas de baixa nos estoques.