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Henrique Maderite: Sinal de Frank na orelha pode indicar problema no coração?

Quando o vinco estiver associado à hipertensão, diabetes, colesterol alto, entre outras doenças, o risco de infarto aumenta
Guilherme Sillva

Publicado em 

10 fev 2026 às 15:35

Publicado em 10 de Fevereiro de 2026 às 18:35

Henrique Maderite
Henrique Maderite teve um infarto fulminante e faleceu Crédito: Reprodução @Henriquemaderite
A morte do influenciador Henrique Maderite de infarto fulminante trouxe um alerta para as pessoas observarem pequenos sinais que podem indicar problemas cardiovascular. Ele tinha um sinal corporal na orelha que possui correlação com doenças no coração.
Após a morte do influenciador, foi notada a presença de um sinal corporal na orelha de Maderite, que pode indicar que o influenciador já convivia com um problema cardiovascular. Nas fotos do influenciador, é possível ver que ele tinha o Sinal de Frank.
O Sinal de Frank é uma prega ou vinco diagonal que surge no lóbulo da orelha, geralmente em um ângulo de cerca de 45 graus. O sinal foi descrito pela primeira vez na década de 1970 e passou a ser estudado como um possível marcador externo de envelhecimento vascular e de doença aterosclerótica.
Segundo o cardiologista Melchior Luiz Lima, da Rede Meridional, a condição pode aparecer em apenas uma orelha, chamado de unilateral, ou nas duas orelhas, bilateral. “Alguns estudos sugerem que a presença bilateral pode estar associada a uma maior carga de aterosclerose, mas nenhuma das formas é diagnóstica isoladamente”, esclarece.
Mas, o Sinal de Frank, por si só, não indica que a pessoa tenha uma doença cardíaca, no entanto pode funcionar como um sinal de alerta. Estudos mostram uma associação estatística entre o Sinal de Frank e a doença arterial coronariana, sugerindo que ele pode refletir alterações vasculares sistêmicas. “Diversos estudos observacionais, inclusive com angiografia e tomografia das coronárias, além de metanálises, demonstraram associação entre o Sinal de Frank e aterosclerose. A aterosclerose é uma inflamação crônica causada pelo acúmulo de gordura nas artérias e pode levar a infarto, AVC, insuficiência cardíaca e morte súbita, muitas vezes sem sintomas prévios”, explica o cardiologista.
O Sinal de Frank deve ser investigado principalmente quando surge de forma precoce, antes dos 60 anos, quando é profundo e bem definido, ou quando aparece em pessoas com histórico familiar de doença cardiovascular, mesmo que não apresentem sintomas. “A recomendação é procurar avaliação médica, preferencialmente com um cardiologista. O objetivo não é tratar o vinco da orelha, mas investigar fatores de risco e identificar precocemente possíveis doenças cardiovasculares silenciosas, especialmente, quando o vinco estiver associado à hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade, sedentarismo, estresse crônico e histórico familiar de infarto ou AVC”, alerta Lima.
O médico, após a análise do perfil do paciente, vai recomendar exames como de sangue, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste de esforço e, em casos selecionados, exames de imagem como tomografia das artérias coronárias ou ultrassom das carótidas.
Até o momento, não existe tratamento nem cura para o Sinal de Frank, porque ele não é uma doença. O tratamento deve ser direcionado aos fatores de risco e às doenças cardiovasculares eventualmente identificadas, com foco em prevenção e redução de eventos graves. “O Sinal de Frank não deve causar pânico, mas também não deve ser ignorado. Ele reforça a importância do exame físico e da avaliação global do risco cardiovascular, que continuam sendo fundamentais para a prevenção de doenças do coração”, finaliza Lima.
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