"Era setembro de 2023, tinha 33 anos, e estava no meu local de trabalho quando um colega esbarrou em mim e na mesma hora senti uma dor forte e diferente no meu peito. Quando senti uma dor na mama direita e percebi um caroço, pensei em tudo, menos no
câncer de mama. Jamais imaginei que pudesse acontecer comigo", conta Filipe Jadyvsky, que é supervisor de mecânica.
O diagnóstico de câncer de mama é, em geral, associado ao universo feminino. No entanto, embora raro, ele também pode ser diagnosticado em homens. O tumor em homens é raro, representando cerca de 1% dos casos totais da doença, mas pode ocorrer em qualquer idade. Os sintomas mais comuns são um
nódulo na mama, alterações na pele, retração do mamilo ou secreção. "O primeiro sinal foi que senti um nódulo, no formato de um carroço mesmo, apalpando com a mão", conta o capixaba.
Ao receber o diagnóstico, o capixaba teve medo. "O medo é inevitável, a princípio demorou um pouco para cair a ficha, chorei o o que tinha pra chorar, mas não me deixei abater", lembra.
Filipe passou por duas cirurgias — a primeira para retirada da mama direita, onde o câncer estava alojado, e a segunda, da mama esquerda, por prevenção. Depois, iniciou o tratamento com quimioterapia e uso contínuo de medicação oral. Hoje, ele realiza acompanhamento médico a cada três meses e celebra uma nova rotina de vida.
Três anos após o diagnóstico, Filipe faz questão de compartilhar sua experiência para ajudar outros homens a estarem atentos aos sinais do corpo. “Muitos homens nem imaginam que possam ter câncer de mama, por isso o diagnóstico geralmente causa espanto e, às vezes, até certo desconforto. Falar sobre o tema é essencial. A informação ajuda a reduzir o preconceito e aumenta as chances de um diagnóstico precoce”, conclui a médica.
A oncologista Gabriela Siano, da São Bernardo Samp, explica que é importante lembrar que homens também possuem tecido mamário, glândulas e ductos, estruturas que podem desenvolver células cancerígenas. A principal diferença é a quantidade e o desenvolvimento do tecido mamário. "Nas mulheres, os hormônios femininos (como o estrogênio) estimulam o crescimento das glândulas e ductos mamários, tornando a mama mais desenvolvida. Nos homens, esse tecido existe, mas é bem menor e menos ativo hormonalmente. Mesmo assim, as células desse tecido podem sofrer mutações e se tornar cancerígenas, dando origem ao câncer de mama". Outra diferença importante é que, como o tecido mamário masculino é pequeno, o tumor pode se espalhar mais rapidamente para estruturas próximas, como pele e músculos.
A médica destaca que, embora o tumor possa ser mais perceptível, o diagnóstico costuma ser tardio. “A falta de suspeita é o principal desafio. Por isso, qualquer alteração na região peitoral deve ser avaliada por um mastologista. O diagnóstico precoce é fundamental e aumenta as chances de cura”, alerta Gabriela.
A oncologista reforça que, quando diagnosticado precocemente, o câncer de mama tem taxas de cura semelhantes entre homens e mulheres. “Quando comparamos tumores do mesmo tipo e estágio, as taxas de cura são semelhantes. O mais importante é o diagnóstico precoce e o tratamento adequado”, completa Gabriela.
O tratamento é muito semelhante ao das mulheres e depende do estágio do câncer. Pode incluir a cirurgia (para retirada do tumor ou da mama, se necessário e a avaliação lindonodal), radioterapia e
quimioterapia e/ou terapia hormonal, dependendo do tipo do tumor. "Em alguns casos, terapias-alvo, anticorpo droga conjugados e imunoterapia podem ser indicados".
A mastectomia (retirada da mama) é a cirurgia mais comum em homens com câncer de mama. "Isso acontece porque o tecido mamário masculino é pequeno, e muitas vezes não é possível retirar apenas o tumor com margem de segurança — por isso, a mama inteira é removida. Em alguns casos, pode-se também retirar linfonodos das axilas para avaliar se houve disseminação da doença", explica a médica. Após a cirurgia, o paciente pode precisar de radioterapia, quimioterapia ou tratamento hormonal, dependendo do risco de recidiva e das características do tumor.