- A condição está diretamente ligada às alterações hormonais e metabólicas que ocorrem durante o climatério e a menopausa. O principal motivo para o aumento da fome e do apetite é a queda dos níveis de estrogênio, o principal hormônio feminino.
De ondas de calor a alterações no sono, a menopausa causa uma série de mudanças na vida da mulher que, muitas vezes, atrapalham o dia a dia. Um desses sintomas é o aumento do apetite, que pode até desencadear uma compulsão alimentar. Mas por que isso acontece? E, principalmente, o que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida da mulher na menopausa?
Para começo de conversa, a menopausa é uma fase natural que marca o fim do período reprodutivo, quando os ovários passam a produzir pouca ou nenhuma quantidade dos hormônios estrogênio e progesterona. Pode-se confirmar que a mulher está na menopausa após 12 meses consecutivos sem menstruar, o que geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos.
É por conta dessa mudança drástica nos níveis hormonais do corpo que surge uma série de alterações. Segundo a ginecologista Thaissa Tinoco, as mais comuns são:
- Névoa mental, caracterizada por lapsos de memória e dificuldade de concentração;
- Ondas de calor e suores noturnos;
- Alterações do sono;
- Irritabilidade, ansiedade ou tristeza;
- Diminuição da libido;
- Ressecamento vaginal;
- Ganho de peso e mudança na distribuição da gordura corporal;
- Queda de cabelo e pele mais seca.
Thaissa diz que na menopausa e até no período que a antecede, a perimenopausa, as mulheres podem sentir aumento do apetite.
O maior desejo por alimentos acontece por influência direta da diminuição da produção do hormônio estrogênio
No nosso cérebro, temos uma região chamada hipotálamo, onde há o centro da saciedade e o da fome. O estrogênio é um dos hormônios responsáveis por acionar esses centros. “Quando ele diminui, o corpo pode ter mais dificuldade em identificar a sensação de saciedade, fazendo com que a mulher sinta vontade de comer mais”, resume a ginecologista Patricia Magier.
Além disso, esse mesmo hormônio estimula neurotransmissores como dopamina, serotonina e ocitocina, relacionados ao bem-estar e ao humor. Segundo Thaissa, a queda destes, também, prejudica a estabilidade emocional da mulher, que pode acabar descontando na alimentação como forma de sentir prazer, especialmente em doces e comidas calóricas.
Tudo isso, aliado também às alterações no sono, de acordo com Patricia, pode contribuir para o desencadeamento de um transtorno de compulsão alimentar, especialmente se já houver predisposição ou histórico prévio.
A menopausa é um período desafiador para a saúde da mulher. Porém, há formas de aliviar os desconfortos, como com alimentação equilibrada, rica em proteínas, fibras e gorduras boas
Para atenuar o aumento da fome nesse período, as médicas concordam: é importante ter a rotina da atividade física regular, o apoio psicológico profissional e o acompanhamento médico especializado, para avaliar se há necessidade de reposições hormonais. "Sabemos que, com dieta equilibrada, atividade física regular, suplementação adequada e reposição hormonal, é possível que a mulher continue bem, ativa e plena também durante a menopausa", finaliza Thaissa.