O calor não dá trégua nos
dias de verão. E ao aproveitar os momentos na praia ou piscina, por exemplo, é preciso cuidado, já que o excesso de exposição solar pode causar queimaduras de sol dolorosas e desconfortáveis. A queimadura solar é uma reação inflamatória aguda da pele, provocada pela exposição prolongada aos raios ultravioleta (UV) do sol, sem a proteção adequada. Ela também pode ocorrer pela exposição a fontes artificiais de luz UV, como as câmeras de bronzeamento.
A dermatologista Giane Giro diz que o mais frequente é vermos queimaduras de grau leve a moderado. "A queimadura leve, de primeiro grau, deixa a pele avermelhada, dolorida e com ardência, que se resolve em até uma semana".
Já a de segundo grau apresenta um tom avermelhado intenso da pele, com formação de bolhas. "A pele demora um tempo maior para recuperar, com a resolução das bolhas seguida de descamação que pode persistir por mais de uma semana", comenta a médica. A queimadura solar de terceiro grau é rara. Geralmente vemos esse tipo de queimadura por outras causas e não pela exposição ao sol isoladamente.
Prevenir as queimaduras é essencial, já que são fator de risco para o
câncer de pele e o principal motivo para evitarmos a exposição ao sol sem proteção. Alguns tipos de câncer de pele estão ligados a exposição crônica ao sol. "Já o
melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele que pode ser fatal se não for diagnosticado precocemente, está diretamente relacionado às queimaduras solares. Mesmo as queimaduras esporádicas, se tem a presença de bolhas, já são fator de risco para o melanoma", explica Giane.
Além da prevenção do câncer de pele, é importante fazer a proteção solar adequada para reduzir os sinais do envelhecimento cutâneo. "Os danos provocados pela radiação UV podem deixar a pele com a tonalidade irregular e aparência opaca. A curto prazo, já se percebe a piora de manchas como sardas e
melasma", conta a dermatologista.
A longo prazo, os danos ao DNA das células são cumulativos e irão levar a piora das rugas, perda da elasticidade da pele, flacidez e aparecimento de manchas como as melanoses solares. A exposição ao sol acelera a perda natural de colágeno da pele, que fica mais fina e envelhecida.
A dermatologista explica que para evitar a queimadura de sol é preciso ter alguns cuidados. Como o uso de
protetor solar na quantidade recomendada, com
reaplicação a cada duas horas enquanto existe a permanência no sol, associado ao uso de barreira física, como roupas e objetos que evitam o contato direto da radiação com a pele, como roupas, chapéus, guarda-sol, entre outros.
O protetor solar deve ser FPS mínimo de 30 para pele morena e mínimo 50 para a pele clara."É importante lembrar que a exposição em ambientes externos com o tempo nublado também pode queimar a pele, pois os raios UV atravessam as nuvens", ressalta Giane.
Outro fator que influencia é o horário da exposição, sendo ideal evitar o sol das 10 horas às 16 horas. Esse é o horário que os raios UVB atingem a superfície da terra com maior intensidade. "Os raios UVB são os principais responsáveis pela queimadura solar e evitar a exposição ao sol neste horário ajuda a reduzir os riscos de queimadura".
A dermatologista ressalta que uma queimadura leve se resolve naturalmente em uma semana, e a hidratação adequada é suficiente para manter a barreira cutânea íntegra até a recuperação total da pele. "Casos mais extensos ou com bolhas, devem ter atenção aos sinais de alerta para procurar atendimento médico", diz Giane Giro.
Após uma queimadura solar, é importante tratar a pele com cuidado para evitar mais danos ou infecções. Um erro muito comum é passar gelo no local da queimadura para aliviar a dor. "O gelo pode provocar uma nova lesão térmica, piorando a inflamação", ressalta a dermatologista.
Os banhos frios ajudam na redução da dor, mas não podem ser por tempo muito prolongado nem com sabonetes irritantes, para não remover a hidratação da pele, alterando a barreira cutânea que já está comprometida pela queimadura. "É importante evitar qualquer produto que contenha álcool na formulação, assim como produtos calmantes pós-sol contendo anestésicos, que podem provocar dermatite de contato", finaliza Giane Giro.