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Doença silenciosa

Saiba quais são os riscos da gordura no fígado e o que fazer para evitá-la

O problema pode evoluir silenciosamente para quadros graves, como hepatite, fibrose e cirrose, se não for diagnosticado e tratado adequadamente

Publicado em 20 de Agosto de 2025 às 09:07

Guilherme Sillva

Publicado em 

20 ago 2025 às 09:07
Gordura-no-fígado
Pressão alta, obesidade e colesterol alto contribuem para o aumento do depósito de gordura hepática Crédito: Shutterstock
A gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática, é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células hepáticas. Segundo o hepatologista Fabiano Furlan, do Hospital Santa Rita, trata-se de um problema cada vez mais comum, que pode evoluir silenciosamente para quadros graves, como hepatite, fibrose e cirrose, se não for diagnosticado e tratado adequadamente.
Estima-se que um em cada três adultos no mundo tenha algum grau de esteatose hepática. No Brasil, dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Sociedade Brasileira de Hepatologia indicam que cerca de 30% da população adulta já apresenta gordura no fígado. Entre pessoas com obesidade, esse número pode ultrapassar 70%.
A causa mais frequente da esteatose está relacionada a hábitos de vida, como má alimentação, sedentarismo e sobrepeso. Além disso, o uso excessivo de álcool, presença de diabetes tipo 2, resistência à insulina, colesterol elevado e até o uso prolongado de certos medicamentos também estão associados ao desenvolvimento da doença. “Mesmo pessoas magras podem desenvolver esteatose, especialmente se tiverem alterações metabólicas, como resistência à insulina ou dislipidemia”, alerta o médico.
A chamada doença hepática gordurosa não alcoólica já é a principal causa de doença hepática crônica no mundo ocidental. “Estudos mostram que até 20% dos pacientes com esteatose podem evoluir para uma forma inflamatória chamada esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que aumenta o risco de desenvolver fibrose hepática e, eventualmente, cirrose ou câncer de fígado”, diz Fabiano Furlan.
Os sintomas nem sempre estão presentes. Em muitos casos, a gordura no fígado é assintomática e descoberta em exames de rotina. Quando os sinais aparecem, podem incluir fadiga, desconforto abdominal - especialmente no lado direito - e, em estágios mais avançados, aumento do fígado. “É importante frisar que a gordura no fígado pode, sim, causar dor, mas isso ocorre geralmente quando já há inflamação ou aumento do órgão”, explica o especialista.
O diagnóstico é feito por meio de exames de imagem, como a ultrassonografia abdominal, que pode indicar a presença de gordura. Em casos mais avançados ou quando há dúvida diagnóstica, exames como elastografia hepática, tomografia ou ressonância magnética podem ser necessários. Exames laboratoriais complementam a avaliação ao medir enzimas hepáticas e marcadores de inflamação.

Mudança no estilo de vida

A hepatologista e gastroenterologista Mariana Poltronieri Pacheco, da Rede Meridional, diz que doença é contraída através da ingestão excessiva de calorias na forma de açúcar, carboidratos e gordura, uso excessivo de álcool e menor queima de elementos. Levar um estilo de vida com poucos exercícios físicos e sedentarismo também aumenta a chance de contrair a condição. “Doenças como diabetes, pressão alta, obesidade, colesterol alto, o uso de alguns medicamentos e até distúrbios hormonais também contribuem para o aumento do depósito de gordura hepática”, afirmou a médica.
A médica explica que para descobrir a patologia, são feitas uma série de exames de sangue para descartar outras causas, como hepatite B e C e uso abusivo de álcool. Também analisamos fatores metabólicos, como a glicose, o colesterol e o peso do paciente. Por fim, solicitamos um exame para avaliar a gravidade da doença, por meio de uma biópsia hepática ou de uma elastografia, que é um exame de imagem que avalia a rigidez do fígado.
Mariana Poltronieri Pacheco
Mariana Poltronieri Pacheco explica os principais sinais da doença Crédito: Divulgação Mariana Poltronieri Pacheco
A gordura no fígado só causa sintomas nas fases mais avançadas, quando a cirrose já está instalada
Mariana Poltronieri Pacheco - Hepatologista e gastroenterologista
A base o tratamento é composta pela mudança no estilo de vida, com adoção de hábitos mais saudáveis. “No que se refere ao tratamento medicamentoso, há remédios sendo testados, alguns aprovados nos Estados Unidos, como o Resmetirom. Porém, é um medicamento de difícil acesso devido ao alto preço”, ressaltou a médica.
Mariana esclarece que a esteatose hepática, geralmente, não causa sintomas, e a maioria dos pacientes descobre que tem a enfermidade por meio de exames solicitados por outro motivo. “É comum as pessoas descobrirem que têm a doença através de ultrassonografias ou exames de sangue alterados, realizados para investigar outros distúrbios”.
Ela enfatiza que a prevenção da esteatose hepática, requer hábitos de vida que combatem toda doença relacionada ao metabolismo. Entre eles: manter o peso corporal dentro da faixa individual ideal e praticar atividade física por, pelo menos, 150 minutos por semana. A alimentação também conta muito, evitando alimentos ultra processados e preferindo o consumo de frutas, verduras e carnes magras.

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