A apresentadora
Tati Machado revelou que perdeu o bebê que estava esperando. Grávida de 33 semanas, ela deu entrada na maternidade após perceber a ausência dos movimentos de seu bebê. Até então, a
gravidez transcorria de forma saudável e já se encontrava na reta final.
"Infelizmente, foi constatada a parada dos batimentos cardíacos do bebê, por causas que ainda estão sendo investigadas", diz parte da nota. Tati Machado precisou passar por trabalho de parto e está sob cuidados.
A ginecologista obstetra Anna Bimbato, da Bluzz Saúde, diz que o luto gestacional provoca uma ruptura abrupta no processo fisiológico e emocional da gestação. "Mesmo sem o nascimento de um bebê vivo, o organismo materno passa por alterações similares às do
puerpério. Há uma queda repentina nos níveis de estrogênio e progesterona, além da liberação de ocitocina e prolactina, que podem estimular a lactação". Emocionalmente, a mulher pode experimentar a tristeza profunda, o choque, a culpa, a raiva e a
ansiedade, emoções que se sobrepõem ao processo fisiológico da maternidade sem o bebê.
A médica diz que mesmo em casos de óbito fetal, a produção de
leite pode ocorrer normalmente. "Isso acontece porque a estimulação hormonal para a lactação (principalmente a prolactina e a ocitocina) não depende da sobrevivência do bebê, mas sim do término da gestação".
É comum que as
mamas fiquem inchadas e endurecidas, doloridas, com sensação de peso e desconforto, e em alguns casos, pode ocorrer febre baixa. A médica conta que em alguns casos, medicamentos podem ser prescritos para aliviar o desconforto e prevenir complicações. "As opções incluem analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor e inibidores da lactação, principalmente quando o desconforto é intenso ou há risco de mastite. Compressas frias, sutiã firme e abstinência de estímulo também são orientações comuns", diz Anna Bimbato.
Com toda a situação, é preciso acolhimento e apoio de uma equipe multidisciplinar para a mulher. "Ao ver o leite descer e sentir o corpo se comportando como se o bebê estivesse vivo pode ser um gatilho doloroso e traumático, reforçando o vazio e o luto. Essa experiência pode ser sentida como uma segunda perda", conta a médica.