O cantor Netinho, de 58 anos, revelou que fará transplante de medula óssea. O artista diagnosticado com
câncer no sistema linfático disse que está terminando a segunda fase da quimioterapia e, no final do tratamento, passará pelo transplante autogênico, um procedimento que utiliza as células-tronco do paciente para tratar a doença.
"Estou aqui terminando a segunda fase da quimioterapia. Serão seis fases no total, vou fazer as seis e, no final, haverá um transplante de medula. Sem doador, um transplante de mim para mim mesmo", disse o músico em vídeo gravado na rede social.
O transplante de medula óssea é um tratamento que substitui uma medula óssea doente por células tronco hematopoiéticas. "A medula óssea é um tecido que fica dentro dos ossos e é responsável por produzir o sangue. No transplante, essas células são renovadas para que o corpo volte a produzir sangue de forma normal. Temos dois tipos de transplante o autólogo e alogênico", explica a hematologista Rayana Bomfim Leonel, da Rede Meridional.
Primeiro, as células tronco hematopoiéticas do paciente são estimuladas e após o sangue do paciente são coletadas. "Em seguida, ele passa por uma quimioterapia intensa para destruir as células doentes. Por fim, suas próprias células são devolvidas ao corpo por meio de uma infusão, parecida com uma transfusão de sangue. Essas células vão até a medula óssea e começam a produzir sangue novamente", explica a médica.
Embora o transplante possa ser muito eficaz, ele também traz riscos. No transplante autólogo, os principais riscos estão ligados à quimioterapia em altas doses, que pode causar queda da imunidade, infecções, sangramentos e efeitos colaterais como náuseas e fraqueza. "Apesar dos riscos, o transplante pode ser uma etapa fundamental na cura ou controle de doenças como o linfoma, e muitos pacientes conseguem se recuperar bem com o tratamento adequado", diz Rayana Bomfim Leonel.
Já no transplante alogênico a medula vem de um doador. Os requisitos para doação de acordo com o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) são ter idade entre 18 e 35 anos, sendo que o doador permanece no cadastro até os 60 anos e pode realizar uma doação até essa idade, estar com a saúde em boas condições e não ter nenhuma das doenças consideradas impeditivas para a doação.
De acordo com a hematologista Maria Cristina Macedo, do IBCC Oncologia, a doação de medula óssea pode ser realizada de duas maneiras principais. A primeira é através da punção diretamente da medula, um procedimento que demanda um centro cirúrgico e é realizado sob anestesia geral, em que o médico coleta a medula dos ossos da bacia.
“A segunda forma é por meio da aférese de células-tronco. Nesse método, as células são coletadas diretamente da corrente sanguínea após o doador passar por um tratamento que estimula as células-tronco a entrarem na circulação sanguínea. Esta técnica não exige anestesia geral, tornando-se uma opção menos invasiva. A doação de medula óssea é um procedimento seguro, e a medula se regenera totalmente em poucas semanas”, reforça.