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Mulher

'Vulva de Ozempic': entenda o novo efeito colateral associado ao medicamento

O termo descreve a flacidez e outras mudanças na região íntima feminina que algumas mulheres relatam após um emagrecimento rápido com medicamentos como o Ozempic
Guilherme Sillva

Publicado em 

20 out 2025 às 16:54

Publicado em 20 de Outubro de 2025 às 19:54

Saúde-da-mulher
"Vulva de Ozempic": termo surgiu nas redes sociais para descrever a flacidez e outras mudanças na região íntima feminina Crédito: Shutterstock/ Pixel-Shot
Ozempic (princípio ativo semaglutida) é um medicamento injetável, aprovado e indicado principalmente para o tratamento de diabetes tipo 2, em conjunto com dieta e exercícios físicos. Mais recentemente, seu uso para o controle da obesidade tem sido amplamente discutido e praticado, embora essa não seja a sua indicação primária no Brasil.
Depois do 'rosto de Ozempic',  termo que descreve a aparência facial flácida que pode ocorrer em algumas pessoas que perdem peso muito rapidamente com o uso do medicamento, agora um novo efeito colateral pode afetar as mulheres.
É a chamada "vulva de Ozempic", termo usado nas redes sociais para descrever a flacidez e outras mudanças na região íntima feminina — como flacidez, perda de volume e irritações — que algumas mulheres relatam após um emagrecimento rápido com medicamentos.
A condição não é um efeito colateral direto do medicamento, mas uma consequência natural da perda acelerada de gordura corporal, que também atinge a área genital.
A ginecologista Adriana Ribeiro diz que a perda de peso rápida, especialmente com o uso de medicamentos como os análogos de GLP-1 (por exemplo, o Ozempic), pode provocar uma redução importante da camada de gordura em diversas partes do corpo, inclusive na região íntima. "Essa perda de volume é natural, já que o tecido adiposo é um dos primeiros a sofrer alterações durante o processo de emagrecimento".
Quando há uma redução significativa de gordura, é comum ocorrer perda de sustentação e de preenchimento natural da vulva e dos grandes lábios. Essa mudança pode deixar a região com aparência mais flácida ou 'murcha', e em alguns casos causar desconforto físico durante atividades cotidianas ou nas relações sexuais. 
Adriana-Ribeiro-ginecologista
A ginecologista Adriana Ribeiro explica a condição que pode afetar algumas mulheres que usam o medicamento Crédito: Divulgação/ Adriana Ribeiro
Muitas mulheres relatam incômodos funcionais, como sensação de atrito, maior sensibilidade e até dificuldade em manter o conforto durante o contato íntimo, devido à menor proteção da área
Adriana Ribeiro - Ginecologista
A diminuição da gordura também pode conferir um aspecto mais envelhecido à vulva, pois há redução na produção de colágeno e na elasticidade dos tecidos. Assim como acontece com o rosto, a gordura exerce papel essencial na sustentação e jovialidade da pele. Quando ela diminui, o tecido perde firmeza, volume e vitalidade.
"Além dessas alterações, algumas mulheres têm observado um ressecamento vaginal mais intenso com o uso do Ozempic, embora ainda não haja confirmação científica de uma ação direta do medicamento sobre esse sintoma. Novos estudos deverão avaliar melhor essa possível relação", diz a médica.

Gordura na vulva

O ginecologista Igor Padovesi explica que a perda de peso leva à perda de gordura dos lábios maiores ou lábios externos que dão o contorno da vulva. Isso, além de incomodar muitas mulheres não só esteticamente, começa a causar um acúmulo de pele, com dobras de pele na região íntima, que podem incomodar fisicamente, na calcinha, com o uso de roupas justas e apertadas, causando assaduras.
"E faz também algumas mulheres terem a sensação de que os pequenos lábios cresceram e na verdade o que acontece é que os lábios externos ou grandes lábios que cobriam os pequenos, quando eles reduzem de volume, acabam deixando os lábios internos mais salientes, proeminentes e passam a incomodar mais a mulher".
A diminuição de gordura deixa a vulva flácida, enrugada e com a aparência de envelhecida. O médico diz que a perda de peso não leva a nenhuma consequência como a diminuição de colágeno nem força muscular dos tecidos de sustentação. Isso acontece naturalmente a partir dos 30 anos. "É importante dizer que o enfraquecimento dos tecidos de sustentação e da musculatura, que já acontece naturalmente, é agravado por outros fatores, como mulheres que tiveram mais gestações ou partos normais. Um outro fator que piora a incontinência urinária, que pode acontecer em decorrência desse enfraquecimento, é a obesidade", explica Igor.
Igor Padovesi, ginecologista
Igor Padovesi explica a condição que pode afetar algumas mulheres que usam o medicamento Crédito: Divulgação/Igor Padovesi
Por um lado, a perda de peso leva à perda de gordura, flacidez dos lábios, porém costuma melhorar os sintomas de incontinência urinária de esforço que são agravados na mulher acima do peso
Igor Padovesi - Ginecologista
A ginecologista Patricia Magier também diz que a perda de peso acelerada, especialmente com medicamentos que reduzem o apetite como o Ozempic (semaglutida), pode provocar uma redução generalizada da gordura corporal, inclusive da camada de gordura que dá sustentação e volume à vulva, principalmente nos grandes lábios. "Essa região é composta por tecido adiposo, colágeno e músculos de sustentação, que podem sofrer atrofia e flacidez após o emagrecimento intenso".
A gordura na vulva tem função protetora, estrutural e estética. A médica  explica que quando há perda abrupta desse tecido, ocorre um 'esvaziamento' da área, com redução do volume e da sustentação, o que pode deixar os grandes lábios mais flácidos, evidenciando os pequenos lábios e mudando o contorno da vulva. "Esteticamente incomoda muitas mulheres além de trazerem desconforto ao usarem roupas mais justas ou biquini e incomodar em atividades como andar de bicicleta. Além disso, pode haver alteração da vascularização e da hidratação da mucosa, o que interfere na sensibilidade e conforto íntimo", diz Patricia Magier.
A perda de peso rápida pode alterar o metabolismo hormonal, por exemplo, reduzir a produção de estrogênio, principalmente em mulheres já em transição para a menopausa. "Isso pode agravar sintomas como secura vaginal, queda de libido e desconforto nas relações. Além disso, o emagrecimento pode gerar desequilíbrio nutricional se não houver acompanhamento médico adequado, prejudicando a produção de colágeno e a saúde da pele e mucosas".

O que fazer?

Patricia Magier reforça que o ideal é que a perda de peso seja gradual e acompanhada por equipe multidisciplinar, com foco na preservação da massa magra e na reposição de nutrientes essenciais. "Além disso, tratamentos ginecológicos regenerativos podem ajudar muito, como laser íntimo, radiofrequência, bioestimuladores de colágeno e uso de ácido hialurônico para hidratação local e preenchimento intimo. Em alguns casos, a terapia hormonal também pode ser indicada para restaurar o equilíbrio e melhorar o trofismo tecidual". 
Além de uma alimentação equilibrada, com ingestão adequada de proteínas e nutrientes que auxiliem na manutenção da estrutura dos tecidos, podem ser indicados tratamentos que estimulem a produção de colágeno e promovam firmeza local. "Iniciar precocemente protocolos com bioestimuladores de colágeno injetáveis ou tecnologias como o laser íntimo pode trazer excelentes resultados. Cada caso deve ser avaliado individualmente", diz  Adriana Ribeiro. 
O preenchimento dos grandes lábios com ácido hialurônico também é uma opção eficaz e segura quando bem indicada. O procedimento restaura o volume natural, melhora a hidratação da pele e proporciona resultados imediatos, devolvendo sustentação, conforto e um aspecto rejuvenescido à região íntima. "Além da melhora estética, o tratamento contribui diretamente para o bem-estar, a autoconfiança e a qualidade de vida da mulher", finaliza Adriana Ribeiro.
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