Nesta segunda-feira (29), é o Dia Nacional do Livro e também já sabemos o novo presidente da República que estará à frente dos destinos do país nos próximos quatro anos. Jair Bolsonaro foi o escolhido pela maioria da população e tempos sombrios nos aguardam na área cultural, visto ter anunciado em campanha que extinguiria o Ministério da Cultura e, como já sabemos, por seu perfil e por sua história, não tem qualquer apreço por livros e pela literatura.
Bolsonaro é militar reformado como capitão e o restante de sua vida foi dedicado à política, na qual se destacou por suas posições radicais de direita e por sua determinação em liderar um pensamento que cheira a nazismo. Descendente de imigrantes italianos e alemães, seu bisavô foi soldado de Hitler, a única formação cultural que possui lhe foi dada na Academia Militar, nos tempos da ditadura militar. Hoje, condena os imigrantes que buscam o Brasil como pátria, chamando-os de escória, ignorando o passado e a própria condição de cristão, que alardeia, sem praticar. Cristo pregou “Amai-vos uns aos outros” e não “Armai-vos...”.
Quanto ao livro e à literatura, hoje não é um dia para se comemorar. Livrarias e editoras no Brasil fecham a cada momento. Poucos brasileiros leem livros. A média nacional é de cerca de dois livros por ano, a maioria de autoajuda. Bibliotecas escolares e públicas estão sucateadas, sem acervo e equipamento atualizados e sem qualquer atrativo à geração digital.
No Brasil, não houve a migração de leitores de livros impressos para os eletrônicos como aconteceu em países mais avançados. Somos um povo de analfabetos que mal lê e escolhe mal seus representantes no Legislativo e no Executivo como se comprova pela reeleição do Tiririca e de tantos outros como ele. Ainda se fosse voto de protesto, não se justificaria.
Em 29 de outubro de 1810, foi criada a Biblioteca Nacional, com acervo trazido pelo rei D. João VI de Portugal, hoje correndo risco. De lá para cá, no entanto, não se conseguiu aparelhar todos os municípios e todas as escolas com bibliotecas. No Brasil, livro, leitura e literatura nunca foram prioridades governamentais.
O Proler (Programa Nacional de Incentivo à Leitura), criado em 1992, na gestão de Affonso Romano na Biblioteca Nacional, teve a sua pá de cal no governo da Dilma, quando a crise financeira se agravou, e de lá para cá o que restam são atividades isoladas como o projeto Viagem pela Literatura, desenvolvido por Elizete Caser na Biblioteca Municipal de Vitória; o Programa O Prazer da Leitura, coordenado pelo Professor Pereira, em Linhares; e O Mundo Mágico da Leitura, em cuja frente está a professora Flaviana Coimbra. São esses idealistas que merecem nossos aplausos no dia de hoje.
Francisco Aurelio Ribeiro é professor