
Luiz Carlos Menezes*
A Terceira Ponte já atestou a sua grande importância como solução viária. O crescimento de Vila Velha após a sua inauguração, em 1989, o comprova. No entanto, nesses últimos dez anos, a travessia para Vila Velha tornou-se um transtorno; inclusive para quem transita no entorno da ponte, no lado da Capital.
O problema, no entanto, não é a Terceira Ponte. Mesmo insuficiente para o tráfego atual, é uma via imprescindível. Haja vista o caos verificado no tráfego intermunicipal durante as cinco horas de interdição no mês passado.
Engarrafamentos decorrem geralmente de volume de tráfego superior à capacidade da via (número insuficiente de faixas) e/ou de retenções (semáforos, pedágio, veículos enguiçados, rotatórias etc.). A Terceira Ponte se enquadra em ambos os casos. São nove faixas nas vias de acesso e apenas duas na ponte.
Engarrafamentos decorrem geralmente de volume de tráfego superior à capacidade da via e/ou de retenções. A Terceira Ponte se enquadra em ambos os casos
No ano passado, apresentei à Agência de Regulação de Serviços Públicos do ES e a outras instituições estudo para implantação das seis faixas e pedágio unidirecional - sistema de cobrança praticado em pontes urbanas no mundo inteiro. A experiência aqui realizada certamente trará uma melhoria. No entanto, a outra retenção - o contorno da Praça do Cauê - precisa também ser eliminada (a Setop já tem o projeto). Mas a grande melhoria seria a adoção de seis faixas de tráfego em toda a ponte. Temos o exemplo da ponte Rio-Niterói, que aumentou de seis para oito faixas sem alargamento da ponte.
A grande largura da Terceira Ponte permite a implantação das seis faixas com a mesma largura das faixas da Av. Rio Branco, na Praia do Canto. Bastariam pequenas adequações e sinalização adequada.
A Cia. de Engenharia de Tráfego de São Paulo – verdadeiro laboratório de trânsito – introduziu mais uma faixa de tráfego em inúmeras vias arteriais da cidade (projeto MULV - Melhor Utilização do Leito Viário). O Corredor Norte/Sul (Avs. 23 de Maio, Rubem Berta e Moreira Guimarães), principal acesso ao Aeroporto de Congonhas, há 13 anos recebeu - sem alargamento - mais uma faixa de tráfego. A Terceira Ponte permite a mesma solução: comporta seis faixas de tráfego; mais largas do que em inúmeras vias arteriais de São Paulo.
Além dessas melhorias, considero imprescindível o transporte hidroviário, já defendido aqui. Rio de Janeiro, Lisboa, Sydney, Istambul e outras cidades (com pontes) oferecem essa opção de transporte em percursos bem maiores. A hidrovia está pronta; livre de engarrafamentos e de manutenção.
*O autor é engenheiro civil, empresário, conselheiro da ADEMI-ES e do PDU de Vitória