Sair
Assine
Entrar

  • Início
  • Todas Elas
  • Feminicídios representam 41% dos assassinatos de mulheres no ES
Insegurança para elas

Feminicídios representam 41% dos assassinatos de mulheres no ES

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que a violência contra as mulheres tem aumentado no Brasil; no Espírito Santo, cenário negativo não é diferente

Publicado em 24 de Julho de 2025 às 12:03

João Barbosa

Publicado em 

24 jul 2025 às 12:03
Ainda que tenha registrado queda no número de homicídios dolosos no último ano, o Espírito Santo ainda carrega uma taxa negativa nos casos de assassinatos: os feminicídios representaram, em 2024, 41,9% dos casos de morte de mulheres, segundo a 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (24).
Os dados mostram que, no ano passado, o país teve 3.700 assassinatos de mulheres — desse total, 1.492 foram por feminicídio, crime motivado pelo fato de a vítima ser do sexo feminino. Desse montante, 39 mortes foram registradas no Espírito Santo em um acumulado de 93 homicídios de mulheres no último ano.
O anuário ainda revela que, no Estado, quando são explorados os números de violência doméstica e sexual, os assassinatos de mulheres aumentaram de 88 para 93 de 2023 para 2024. Especificamente no recorte de feminicídio, o número foi de 35 para 39, uma variação de 10,7%.
Feminicídios representam 41% dos assassinatos de mulheres no ES
Os registros também mostram que, em 2024, quatro feminicídios foram seguidos por suicídio do autor do crime. O número é o mesmo do ano anterior e também é o de número de vítimas de feminicídio com Medida Protetiva de Urgência ativa no momento do óbito, revela o anuário.

Diferença de homicídio para feminicídio

Previsto no Artigo 121 do Código Penal, o crime de homicídio é configurado pelo ato de matar alguém, seja homem ou mulher. Por sua vez, o feminicídio (ainda que também resulte na morte de outra pessoa), é o crime de assassinato contra a mulher em um contexto de menosprezo ou discriminação ao sexo feminino.

Tentativas também aumentaram

Segundo o levantamento, o país registrou um aumento de 1.071 casos de tentativas de homicídio contra mulheres, incluindo as tentativas de feminicídio. Em 2023, foram contabilizadas 7.886 tentativas e, em 2024, o número subiu para 8.957. As tentativas de feminicídio, especificamente, saltaram de 3.238 para 3.870 no Brasil.
No Espírito Santo, o cenário de crescimento não foi diferente. No recorte absoluto das tentativas de crime contra a vida das mulheres, o Estado saiu de 484 em 2023 para 572 no último ano. No recorte de feminicídios, as tentativas foram de 78 para 85, representando, 14,9% em relação às tentativas de homicídios.
Os dados ainda expõem que as lesões corporais dolosas (aquelas feitas necessariamente com a intenção de ferir terceiros) contra mulheres também aumentaram no território capixaba. Em 2023, foram 2.460 casos, em comparação aos 2.552 registrados em 2024, uma variação de 3%.
As ameaças às mulheres também registraram aumento no Estado, ainda que no recorte nacional tenha sido registrada uma queda. Se no país as ameaças caíram de 750.739 para 747.683 (-0,8%), no Espírito Santo, o número saiu de 13.882 para 15.066 de 2023 para 2024 (7,8%).

Subnotificação é problema a ser tratado

Para divulgação dos números, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública conta com dados divulgados oficialmente por secretarias estaduais de segurança, pelo Ministério Público dos Estados e também com levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No material sobre a violência contra mulheres, junto dos números, as autoras Isabella Matosinhos e Amanda Lagreca ainda salientam que essa é uma temática que segue sendo um dos grandes desafios enfrentados pelas políticas públicas brasileiras, em especial no campo da segurança pública, tanto em termos de produção e sistematização de dados, quanto em termos de formulação e implementação dessas políticas, especialmente as preventivas.
“Este é um tema prioritário para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e anualmente temos chamado a atenção para este fenômeno, ilustrando-o com os dados mais recentes, e sempre fazendo um alerta: as leis avançam, mas as violências persistem e as mulheres seguem em risco. E esses riscos são diversos”, divulga o anuário.
No âmbito da violência contras as mulheres, o levantamento ainda revela que, em 2024, os dados oficiais de registros policiais indicaram aumento de diversas formas de violência contra as mulheres.
“Esses dados e as demais análises que seguem ao longo do texto ajudam a quantificar e qualificar o retrato do que oficialmente se sabe sobre a violência contra a mulher no Brasil. Ainda que os números mostrem uma situação grave, o que eles não mostram compõem um cenário mais amplo que é ainda mais cruel e duro do que nos dizem os registros oficiais. Isso porque, quando falamos de violência de gênero, falamos de um fenômeno que continua sendo marcado por subnotificação, silêncio e naturalização social”, destacam as autoras.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Aquaviário: estação na Rodoviária de Vitória começa a operar nesta sexta (29)
Polícia Penal terá reforço no quadro de pessoal
Polícia Penal do ES vai convocar 600 aprovados no concurso público
Imagem de destaque
Pais de alunos de Vila Velha vão poder acompanhar nota dos filhos via app

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados