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Eleições 2018

Urnas alertam: PSDB precisa se reconstruir e se modernizar

Ninho tucano deve estar disposto a resgatar a agenda social-democrata, aproximar-se do pulsar das ruas e incentivar o surgimento de novas lideranças

Publicado em 17 de Outubro de 2018 às 14:44

Públicado em 

17 out 2018 às 14:44

Colunista

Geraldo Alckmin, candidato tucano à presidência da República, teve um desempenho muito aquém de qualquer estimativa Crédito: Reprodução TV Globo
Caio Neri*
O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) foi fundado em 25/6/1988, num momento em que o Brasil se reencontrava com o regime democrático. De lá pra cá, o PSDB aumentou sua bancada, assumiu o governo de inúmeros municípios e Estados expressivos, foi o principal responsável pelo Plano Real, protagonizou por quase três décadas a polarização ao Partido dos Trabalhadores (PT), venceu duas eleições presidenciais no primeiro turno e chegou em outras quatro eleições presidenciais ao segundo turno.
Todavia, na eleição presidencial de 2018, apesar da ampla aliança partidária firmada, Geraldo Alckmin, candidato tucano à presidência da República, teve um desempenho muito aquém de qualquer estimativa: a menor votação alcançada por um presidenciável do PSDB (4,8% dos votos válidos; enquanto em 2006, Alckmin foi ao segundo turno com 41,64%). Em comparação com a eleição de 2014, na Câmara, o número de deputados federais eleitos pelo PSDB oscilou de 54 para 30, já no Senado, sua bancada passou de 10 para 8 senadores.
É certo que diversos fatores externos contribuíram para o resultado do PSDB nas urnas em 2018, porém, parcela disso decorre de questões eminentemente partidárias. Um dos prováveis equívocos do PSDB, como já destacado por Tasso Jereissati (ex-presidente do partido), foi ter decidido apoiar formalmente o governo de Michel Temer, em aparente contradição ao lema tucano “Longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas, para germinar novamente a esperança”. Descuidou-se, outrossim, ao não sustentar uma postura mais enfática de combate à corrupção, principalmente após os fatos envolvendo o senador Aécio Neves.
Ademais, salta aos olhos um cenário de grande fragilização intrapartidária, marcado por cisões entre dirigentes partidários e filiados, o que, inexoravelmente, impediu que o PSDB tivesse um resultado mais expressivo nas urnas. No cenário estadual, é preciso reavaliar o modus operandi da campanha do PSDB, a postura da direção estadual do partido, sobremaneira, a relação que manteve com os tucanos que foram candidatos e a repartição dos recursos de campanha eleitoral, isso sem contar o pequeno envolvimento com a campanha do presidenciável Geraldo Alckmin no Espírito Santo.
Com efeito, se não fossem as baixas ocorridas no PSDB, o deputado estadual mais votado no Espírito Santo poderia ter sido tucano e o partido poderia ter conseguido eleger deputado federal e senador. As urnas acenderam o sinal de alerta para o PSDB se reconstruir e se modernizar. Para tanto, o ninho tucano deve estar disposto a resgatar a agenda social-democrata, aproximar-se do pulsar das ruas e incentivar o surgimento de novas lideranças.
* O autor é graduado em Direito pela Ufes

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