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Mente

Você sabe o que é Janeiro Branco?

O perigo da loucura é o de sofrer e ainda ser excluído por isso. A exclusão é uma catástrofe. Loucura não é questão de perigo, é questão de sofrimento existencial

Publicado em 10 de Janeiro de 2018 às 16:42

Públicado em 

10 jan 2018 às 16:42

Colunista

Janeiro Branco, você sabe o que é? Janeiro Branco é um mês onde buscamos desmitificar preconceitos higienistas e covardes, além de orientar pessoas com sofrimento mental e ainda lapidar que a melhor saúde mental é ser do seu modo, com suas pequenas loucuras e sem medo de pedir ajuda quando necessário. A existência é um assunto sério, você já cuidou da sua hoje? Desejo que janeiro e o resto do ano seja da cor que você colorir! Que este branco no nome da campanha seja pano de fundo de uma tela da colorível arte que é viver!
Vale resgatarmos a importância de cuidar da saúde mental e quebrar perigosos julgamentos, tais como o de que psicólogos e psicanalistas são coisas de loucos. São sim e isto é ótimo, pois trata de humanos e todo humano tem sua quota de loucura, não se esqueça disto. Já passou da hora de liquidarmos com este preconceito que coloca o louco em um lugar que causa medo e perigo. Perigoso é a normalidade.
A normalidade é a coisa mais danosa na vida humana. O louco não é mais perigoso do os outros que disfarçam de normal. O perigo da loucura é o de sofrer e ainda ser excluído por isso. A exclusão é uma catástrofe. O perigo dos que se enquadram na ilusão da normalidade é, em nome da normalidade, matar e exterminar existências. Loucura não é questão de perigo, é questão de sofrimento existencial.
A vida é complexa, é árdua ainda que conte com momentos felizes. A vida nos exige invenções, resiliência e buscas. Movimentos! O tratamento pelas palavras cuida da existência e da reinvenção da vida. Tratar com palavras próprias, com sua própria história, é um caminho que quem descobre aprende a ouvir a si mesmo para se relacionar diferente com o que se chama de destino. Já repararam a necessidade de falar e que ninguém escuta, pois todos numa mesa querem conversar, falar e disputar que tem mais, quem sofre mais, qual vida está melhor ou pior?
Pois é, o psicanalista escuta até aquilo que você não escuta enquanto diz e você escutando nesta relação clínica poderá reinventar rumos mais saudáveis para si mesmo. Cuidar da sua saúde mental é cuidar de sua existência, vale lembrar disso!
*O autor é psicanalista membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos (EBEP) e escritor membro da Academia Bom Despachense de Letras
 

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