O jornalismo produzido no Espírito Santo acaba de alcançar um feito histórico. A Gazeta conquistou o 1º e o 2º lugares no INMA Global Media Awards 2026, considerado o “Oscar” do jornalismo mundial, e colocou o Estado, pela primeira vez, entre os grandes protagonistas da inovação jornalística internacional.
O resultado foi anunciado em Berlim, durante o Congresso Mundial de Mídia da International News Media Association (INMA), uma das premiações mais prestigiadas do setor. Em um universo de 960 inscrições de 46 países, A Gazeta figurou entre apenas 200 finalistas ao lado de gigantes como The New York Times, The Guardian e The Wall Street Journal. Entre os brasileiros, somente A Gazeta, O Globo, GZH/Grupo RBS e Nexo Jornal chegaram à final.
O reconhecimento veio em duas categorias estratégicas: a websérie Morro do Macaco conquistou o 1º lugar regional em Melhor Uso de Vídeo, enquanto a reportagem especial Rio de Lama e Luta ficou em 2º lugar em Melhor Uso de Jornalismo Visual e Ferramentas de Storytelling.
Os resultados consolidam um movimento que vem transformando a produção jornalística da Rede Gazeta nos últimos anos: a combinação entre profundidade editorial, inovação narrativa, tecnologia e sensibilidade humana.
Este prêmio homenageia o jornalismo de excelência no mundo. Para nós é uma enorme satisfação ver conteúdos pensados, produzidos, editados, enfim, feitos aqui pelo jornalismo de A Gazeta serem destacados como primeiro e segundo lugares por um corpo de jurados internacionais e altamente especializados.
Geraldo Nascimento, editor-chefe de A Gazeta/CBN Vitória
Segundo Geraldo, a premiação coroa o compromisso da Rede Gazeta com informação qualificada e com a busca constante pelos melhores formatos de contar histórias. “É o reconhecimento de um trabalho que une jornalismo, criatividade, inovação e relevância social”, afirmou.
A força de histórias que atravessam gerações
A produção vencedora Morro do Macaco revisitou uma das maiores tragédias da história capixaba: o deslizamento ocorrido em Vitória, em 1985, que deixou dezenas de mortos, feridos e desabrigados.
Mas o documentário acabou ganhando uma dimensão ainda mais íntima e emocional para o editor de mídia audiovisual Farley Sil, que dirigiu todo material. Um dia antes da estreia, ele descobriu que duas vítimas desaparecidas na tragédia eram integrantes de sua própria família.
Ao buscar histórias para contar, senti algo me puxando para esse fato.Talvez por eu ter vindo da periferia e ainda ter minha família lá. Talvez porque histórias como essa não deveriam jamais cair no esquecimento. Histórias precisam ser contadas. Por mais dolorosas que sejam, elas fazem parte de quem somos.
Farley Sil, editor de mídia audiovisual
Farley fez questão de destacar o envolvimento coletivo da equipe formada por Fernando Madeira, João Batista, Aline Nunes, Adriana Rios, Haelly Dragnev, Camilly Napoleão e toda a redação de A Gazeta. “Esse prêmio foi um grande presente pra mim e pra toda a equipe”, resumiu.
IA, storytelling e inovação visual
Já o especial Rio de Lama e Luta, que relembra os dez anos do desastre de Mariana e seus impactos até o litoral capixaba, chamou atenção internacional pelo uso de recursos visuais e inteligência artificial aplicados ao storytelling.
A editora do Núcleo de Reportagens Mikaella Campos foi quem desenvolveu uma narrativa em scrollytelling que permitia ao leitor acompanhar visualmente o avanço da lama ao longo da leitura.
Como sou jornalista e não designer, dá muito orgulho ter um trabalho reconhecido internacionalmente numa categoria visual e de storytelling.
Mikaella Campos, editora do Núcleo de Reportagens
Segundo ela, a equipe utilizou inteligência artificial para criar elementos gráficos, animações e até um aplicativo de apoio à construção narrativa. "Usamos IA para criar alguns elementos, como a ilustração do rio. A animação permitia o leitor acompanhar a lama invadindo a tela, junto à leitura do conteúdo. Também criamos um aplicativo com ajuda da IA para montar a história", detalhou.
Para Mikaella, esse reconhecimento reforça uma tendência cada vez mais presente no mercado global de mídia: redações que conseguem unir tecnologia, experiência do usuário e jornalismo aprofundado passam a ocupar um espaço diferenciado em relevância e competitividade.
Reconhecimento internacional recorrente
A conquista de 2026 não é um caso isolado. Este é o quarto ano consecutivo em que a Rede Gazeta figura entre os finalistas do INMA.
Nos últimos anos, projetos ligados a inteligência artificial, publicidade inovadora, vídeo, redes sociais e formatos digitais já haviam recebido menções honrosas e premiações internacionais em Londres e Nova York.
O resultado reforça o posicionamento da Rede Gazeta como uma das redações mais inovadoras do país, e mostra como o jornalismo produzido no Espírito Santo passou a disputar espaço, linguagem e excelência com alguns dos maiores grupos de mídia do mundo.