O Brasil se tornou o campeão da polêmica e uma delas é a questão do alimento saudável. Convencional x orgânico. O convencional se tornou abundante e mais barato por meio da Revolução Verde iniciada pelo engenheiro agrônomo norte americano Norman Borlaug, laureado com o Nobel da Paz em 1970, alicerçada no melhoramento genético e não nos agrotóxicos, como pregam alguns.
As sementes melhoradas por Borlaug promoveram a disruptura tecnológica no campo e, aliada ao calcário, fertilizantes, agrotóxicos, máquinas e equipamentos, muito trabalho e profissionais competentes, fez o agro brasileiro se tornar líder na produção de alimentos, fibras, bioenergia e madeira do mundo tropical.
Alimento convencional não é um vilão contaminado com agrotóxico, que é apenas uma das ferramentas técnicas usadas para aumentar a produção e a produtividade. Porém, o agrotóxico usado na produção convencional de alimentos também não é um mocinho, pois se mal utilizado poderá trazer consequências ao meio ambiente e à saúde das pessoas, principalmente àquelas que o manuseiam e, por isso, deve ser usado sob a orientação técnica de profissionais habilitados, assim como os medicamentos no mundo médico.
E o orgânico não é tão mocinho como pregam os adeptos e nem será vilão, se forem produzidos sob a orientação técnica profissional, até porque os biodefensivos, às vezes, usados na produção de orgânicos são legalmente considerados agrotóxicos. Não existe orgânico apenas por uma plaquinha na barraca da feira ou gôndola do supermercado. Orgânico de verdade é regulamentado e exige um sistema criterioso de produção que ultrapassa os limites empresariais e alcança quase que um ideal de vida e, por isso, é mais caro.
Tem seus louvores, mas não é um mocinho ingênuo e inofensivo, pois se usado sem os cuidados necessários também poderá causar danos à saúde. Portanto, a maneira segura de se alimentar bem, com produto orgânico ou convencional, é fazer como os estrangeiros e exigir a comprovação de que os alimentos à venda foram produzidos com boas práticas agrícolas e sob a responsabilidade técnica de profissionais habilitados. Assim produzidos ambos são seguros. Exija isso de seu fornecedor. É seu direito e seu dever para viver bem!
*O autor é engenheiro agrônomo, advogado e ex-presidente da Sociedade Espírito-Santense de Engenheiros Agrônomos (SEEA)