Seis anos após ser concedido à iniciativa privada, o Aeroporto de Vitória saiu da lista dos piores do país, na avaliação dos passageiros, para ocupar as primeiras posições do ranking dos melhores terminais brasileiros. Administrado pela Zurich Airport Brasil, o aeroporto opera voos domésticos para cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Recife, Salvador e Campinas, e registra aumento consistente de movimentação de passageiros.
Embora tenha voos internacionais de carga, ainda não oferece ligação direta de passageiros para o exterior, mas estudos de viabilidade para essa operação estão em andamento. A estrutura tem capacidade para atender até 8 milhões de passageiros por ano. Em 2024, o terminal atendeu 3 milhões de pessoas, e de janeiro a setembro de 2025, já movimentou aproximadamente 2,5 milhões, igualando o volume histórico de 2012 e apresentando crescimento de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O aeroporto está localizado a dez quilômetros do Centro de Vitória, com acesso facilitado aos portos e às principais rodovias do Estado. Ricardo Gesse, CEO da Zurich Airport Brasil, destaca que o terminal foi eleito por três anos consecutivos o segundo melhor do país, de acordo com a pesquisa da Secretaria Nacional de Aviação Civil.
“O complexo tem vocação para negócios, grande potencial turístico e representa o último grande espaço para desenvolvimento imobiliário da cidade”, avalia. Embora já conte com infraestrutura adequada e requisitos regulatórios para operações internacionais, estudos da concessionária apontam que a demanda para voos ao exterior ainda precisa amadurecer.
“Em 2025, o foco está no fortalecimento das rotas domésticas, que contribuem para fomentar a demanda internacional. Vale lembrar que a decisão de iniciar uma nova rota depende da companhia aérea e da demanda, entre outros fatores”, explica Gesse. Um dos desafios, segundo ele, é expandir a área de influência do Espírito Santo, hoje concentrada em visitantes de Minas Gerais e de Estados vizinhos.
A meta é tornar o destino mais conhecido nacionalmente, estruturando produtos turísticos e investindo em campanhas de promoção e vendas para consolidar Vitória como um hub regional. Importância O Aeroporto de Vitória também desempenha um papel importante no comércio exterior do Estado. Entre 2020 e 2025, o volume importado para o Espírito Santo passou de US$ 740 milhões para mais de US$ 1,7 bilhão. E, entre janeiro e agosto de 2025, as importações já ultrapassavam US$ 1,1 bilhão, indicando manutenção da tendência positiva.
Nesse cenário, Luiz Fernando Braga, diretor do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo (Sindiex) e coordenador do Comitê de Aeronaves da entidade, avalia o terminal como um ativo estratégico, especialmente no segmento de importação de aeronaves, no qual o Estado se consolidou como o principal ponto de entrada do país. Braga também aponta que os setores exportadores capixabas que mais se beneficiariam de uma estrutura aérea internacional mais robusta são aqueles que lidam com produtos perecíveis, de alto valor agregado e que exigem agilidade logística.
“Um exemplo é o setor de frutas frescas, especialmente o mamão, no qual o Espírito Santo já se destaca nacionalmente”, salienta. O Estado é responsável por cerca de 34% de todas as exportações brasileiras de mamão enviadas por via aérea. “Outros segmentos também seriam fortemente beneficiados, como o de frutas tropicais, flores, produtos farmacêuticos, cosméticos naturais e alimentos premium, que exigem transporte rápido e seguro para alcançar mercados internacionais”, analisa.
Incentivos
Para o diretor do Sindiex, os incentivos fiscais estruturantes, como os programas Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap) e Invest-ES, são determinantes para o sucesso das operações de importação aérea no Espírito Santo. “A manutenção e modernização desses instrumentos, aliadas a parcerias estratégicas entre o setor privado, o governo estadual e a concessionária do aeroporto, são fundamentais para ampliar o uso do modal aéreo por empresas capixabas”, observa.
Os incentivos fiscais são apontados também por Ricardo Gesse como fatores determinantes para a competitividade do aeroporto. A redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o combustível de aviação, adotada pelo governo do Estado em 2024, é outro exemplo de medida que mantém o Espírito Santo à frente de outros mercados.
“Estamos em diálogo constante com órgãos públicos e privados de turismo, uma vez que a promoção unificada é essencial para fomentar novos voos. Fortalecer as rotas domésticas é o passo-chave para a internacionalização”, reforça.
No entanto, com a reforma tributária, o imposto sobre o querosene de aviação deve ser substituído pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), eliminando a diferenciação entre Estados.
“Essa mudança tende a reduzir a vantagem competitiva capixaba na atração de novas rotas”, analisa o executivo. Por isso, para preservar a atratividade do transporte aéreo no Estado, ele defende a adoção de novos mecanismos diretos de estímulo, como programas de apoio à maturação de rotas e campanhas permanentes de promoção turística.
Expansão coordenada
O governo do Estado, por meio da Secretaria de Turismo (Setur) e da Secretaria de Desenvolvimento (Sedes), mantém diálogo permanente com companhias aéreas e demais players do setor para fortalecer e expandir a malha aérea capixaba.
O subsecretário de Gestão e Marketing Turístico, Luciano Manoel Machado, destaca que a estratégia é integrar os fluxos de turistas e negócios entre os Estados vizinhos, consolidando o Espírito Santo como porta de entrada para o Leste do país. “Com o avanço dos investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e promoção dos destinos capixabas, há expectativa concreta de novas operações no médio prazo.
O objetivo é garantir um crescimento sustentável da nossa aviação, beneficiando não apenas o turismo, mas também toda a economia do Estado”, reforça Machado. O subsecretário de Estado de Desenvolvimento, Celso Guerra, ressalta que, apesar de a localização do aeroporto em área urbana adensada representar uma limitação à expansão física do terminal, isso não impede outras oportunidades de crescimento.
“Embora não seja possível ampliar significativamente a infraestrutura, há um grande potencial no transporte de cargas especiais e de alto valor agregado, considerando que o governo do Espírito Santo vem investindo na integração logística, especialmente nas redes portuária e rodoviária, para fortalecer a competitividade do Estado”, conclui.