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Negócios

Campo capixaba está cada vez mais tecnológico, eficiente e sustentável

Agricultores do Espírito Santo estão inovando ao adotar práticas que favorecem o meio ambiente e reduzem o desperdício

Diná Sanchotene

Repórter

dsanchotene@redegazeta.com.br

Publicado em 03 de Dezembro de 2020 às 04:50

Publicado em

03 dez 2020 às 04:50
Aliado do agronegócio, drone é utilizado em plantações
Aliado do agronegócio, drone é utilizado em plantações Crédito: pixabay
Sensores que ajudam a economizar água, drones para fiscalizar a plantação, câmera 3D para acompanhar o desenvolvimento dos animais e reaproveitamento de matéria orgânica. É a tecnologia contra o desperdício e a favor do meio ambiente. Cada vez mais presente no agronegócio capixaba, a inovação tem sido grande aliada dos produtores na missão de produzir mais, agredindo menos.
Porém mais do que reduzir impactos, os agricultores se preocupam também em preservar. Foi informatizando a produção que uma propriedade em Pinheiros, no Norte do Espírito Santo, conseguiu aumentar o cultivo de café conilon e ainda poupar um recurso natural valioso. Os responsáveis pela lavoura substituíram o modelo de pivô central - estrutura suspensa que irriga as plantas - pela tecnologia de precisão do gotejamento monitorado, diretamente no solo.
Sensores na plantação produzem relatórios computadorizados, que ajudam a monitorar onde e quanto irrigar. Com as informações em mãos, a irrigação dos 500 mil pés de café pode ser acionada pelo celular. Para se ter uma ideia, essa técnica proporciona uma redução do uso de água e adubo em 25%, isso sem contar na economia de energia.
Evitar desperdício também é o objetivo da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi), com sede em Santa Maria de Jetibá. A bióloga da cooperativa, Marcela Takiguti, explica que, com uma visão mais sustentável, até o que seria problema vira solução. Assim ovos quebrados que seriam descartados dão origem ao ovo líquido pasteurizado, e as fezes das aves da avicultura de postura se transformam em fertilizante orgânico.
"Também realizamos plantio de árvores para recuperar áreas degradadas da cooperativa anualmente e agora, com o novo supermercado, vamos implementar a coleta de pilhas e baterias para todas as unidades e clientes"
Marcela Takiguti - Bióloga da Coopeavi
Condomínio avícola da Coopeavi, empreendimento que não para de investir e se mantém competitivo no mercado
Condomínio avícola da Coopeavi, que investe em soluções para evitar o desperdício Crédito: Divulgação/AsCom Coopeavi
No Caparaó, os cafeicultores da região têm se dedicado à recuperação de nascentes. A atividade consiste em limpar e cercar a área das nascentes evitando, assim, que os animais causem danos e sujem a água. A prática ainda controla a erosão e os produtores realizam plantio de espécies nativas. Além da preservação ambiental, a iniciativa ajuda a elevar a renda dos produtores por meio de melhorias na qualidade do café.
A tecnologia também trouxe eficiência para o campo. Na pecuária, por exemplo, uma câmera 3D portátil permite o monitoramento quase que diário do desenvolvimento dos animais. A ferramenta, que foi desenvolvida por uma startup capixaba, fotografa o boi que passa em frente à câmera e faz automaticamente a pesagem, como se fosse uma balança virtual.
Já nas lavouras de café, cana-de-açúcar e abacaxi os dones são grandes aliados. As imagens aéreas ajudam a localizar áreas atingidas por pragas e ainda detectar quais partes do plantio precisam receber mais insumos. O subsecretário de Aquicultura, Pesca e Desenvolvimento Rural Sustentável, Michel Tesch, observa que o mercado consumidor, cada vez mais exigente, faz questão de comprar alimentos que são cultivados ou produzidos de forma sustentável.
Essa cobrança tomou mais força com as graves queimadas na Amazônia e com o incêndio florestal de grandes proporções que destruiu parte do Pantanal. Para provar essa nova tendência, as gôndolas dos supermercados e balcões de feira já têm um espaço reservado para peixes, ovos, frutas, verduras e até carne orgânicos. Atualmente, o Estado tem 482 produtores orgânicos certificados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
“O apelo ambiental pode ser sentido em toda a cadeia produtiva. Um exemplo é o café que está nas prateleiras. O produto foi comprado por uma torrefadora, que, por sua vez, comprou de um trader ou direto de um produtor. Se o cliente dessa marca passar a exigir conceitos de sustentabilidade, ela vai exigir do trader e que vai exigir do produtor. Felizmente o agricultor está atento ao cultivo sustentável”, explica Tesch.
Espírito Santo tem uma pauta muito voltada para agronegócio no exterior, principalmente focado nos três principais produtos capixabas comercializados para fora do país: café, celulose e pimenta (vendida para 79 países). Juntos, os três produtos somaram em exportação R$ 7,14 bilhões em 2019.
"“Sentimos todos os impactos de uma economia global, pois estamos inseridos em uma cadeia muito maior do que o nosso território. Não é necessário desmatar para aumentar a produção, em nenhuma hipótese"
Michel Tesch - Subsecretário de Aquicultura, Pesca e Desenvolvimento Rural Sustentável
Prova disso é a produtividade do café, por exemplo, que, em média, é de 42 sacas por hectares. Porém, algumas lavouras, com boas práticas, conseguem ampliar a produção para 100 sacas em um mesmo pedaço de terra.
“Isso demonstra que é possível duplicar a produção, sem abrir áreas novas. Só atuando no aumento da produtividade. Existem várias ações de integração entre lavoura, pecuária e floresta. É possível ter o cultivo de culturas, como soja e milho, floresta e pastagem. O agronegócio está conectado com as ações ambientais”, comenta.

127%

FOI O CRESCIMENTO DA PRODUÇÃO PECUÁRIA NO ES DE 1997 a 2019 EM CABEÇA DE GADO
Essas tecnologias ajudam a melhorar a produção do café em uma área menor e essa evolução tem sido sentida na prática. Segundo Tesch, de 1993 a 2018, a produtividade do café conilon passou de nove sacas por hectares para 42 sacas, em média
“Isso significa que, para ter a mesma produção de 35 anos atrás, são necessários apenas um quarto da área, com potencial cada vez maior. O Estado tem gerado tecnologia, pesquisa e assistência técnica e faz com que isso chegue no campo para ações de sustentabilidade na produção, seja no café ou na pecuária”, pontua.
O subsecretário reforça que o Estado adota práticas que incentivam as ações ambientais positivas do agronegócio capixaba. Para o cultivo do café, por exemplo, há certificação estadual para quem pratica a cultura sustentável. “Tudo tem sido feito com base em três tripés: sustentabilidade, social e econômica. Cabe ao Estado desenvolver tecnologias que permitam o uso sustentável dos recursos naturais e transmiti-las aos agricultores e pecuaristas para que eles possam produzir nessa geração sem comprometer a capacidade produtiva das gerações futuras”, ressalta.
A pecuária capixaba também tem uma produção bem expressiva, tanto na criação de gado de corte quanto de leite. Na pecuária de corte, o subsecretário destaca a evolução da produção nos últimos anos. De 1997 a 2019, o Estado saiu de 125 mil para 284 mil cabeças de gado. O peso final de todo o gado de corte produzido no ES também subiu, de 26 milhões para 72 milhões de quilos, no mesmo período. Isso representa um aumento de 127% em número de animais e 180% no peso.
Cultivo de café conilon no Sítio Terra Alta, na região do Caparaó
De 1993 a 2018, a produtividade do café conilon passou de nove sacas por hectares para 42 sacas, em média Crédito: Vagner Benezath
“O resultado é consequência de todo o investimento realizado na tecnologia, melhoria genética e manejo das pastagens. No entanto, ainda enfrentamos um grande desafio de recuperar as pastagens degradadas. Ainda há um percentual grande de área que a gente precisa lidar. Para isso, estamos fazendo ações de transferência de tecnologia e a inserção de lavoura, pecuária e floresta, porque precisamos transformá-las em áreas produtivas novamente dentro do processo de sustentabilidade”, explica Tesch.
Outro ponto que o Estado avançou foi na precocidade, ou seja, a idade de abate dos animais. Antes o abate ocorria em até 60 meses, cerca de quatro a cinco anos. Mas com a tecnologia atual, o gado é abatido com 16 a 18 meses.
“Os bois ficam em confinamento ou semiconfinamento e não chegam ao pasto, ficam no estábulo e lá mesmo recebem toda a alimentação. Esse é um tipo de evolução, com capacidade produtiva alta. A área de pastagem, por exemplo, pode ser utilizada para outros cultivos, como o de milho, que vai servir para alimentação animal. A pecuária vem evoluindo muito, mas ainda é o nosso desafio para aumentar ainda mais essa produtividade, com foco na sustentabilidade”, explica.

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